"Então você escreve por reconhecimento interior e externo mundano, compartilhamento de informações seja por vontade, seja por carência. Escreve, pois precisa ter alguém nem que seja sua mãe para ler suas anedotas, escreve, pois é algo que você nunca sentiu prazer e excitação e agora, sem explicar o porquê sente-se completamente feliz, como se fosse o seu momento,escreve porque as palavras brotam de sua mente sem explicação."
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Uma carta para quem me amou.
Sabe, deu saudade hoje. Não sei o porquê, só sei que senti sem saber. Cheguei da faculdade, jantei, e fui ver a minha vida virtual. Você saiu a tempo dela, porém esqueceu-se de cortar as raízes. Estranho e ao mesmo perfeito. Estranho porque se fosse eu em seu lugar, já teria me bloqueado de tudo, aliás, você nem atendeu a minha última ligação. Perfeito porque pude relembrar um dos momentos mais perfeitos de meu ano pregresso. Poder ver seu sorriso, poder recordar de sua voz, ver o seu jeito feliz e ao mesmo tempo engraçado que me ora contagiava-me ora irritava-me com tamanha imaturidade. Eu não respeitei a sua síndrome do Peter Pan, não é mesmo? Exigi demais, obriguei demais, quis demais. Não fui uma “Leila” da vida, porém fui totalmente totalitário e recriminador. Vai entender o que é gostar. Me pego rememorando o tempo que eu subia aquelas escadas infindáveis onde você estava passando férias, sua admiração quando me via, o desejo de estar a dois. Foi tudo muito diferente para mim. Era a primeira vez que eu vi o que é uma pessoa gostando de outra. Ou melhor, o que era o sentimento que eu tanto valorizo sendo usado por alguém ao meu benefício. Você foi a melhor representação do gostar que eu pude ter em troca, o desejo que eu pedia quando o relógio badalava meia noite, eu só quero um novo amor. A sua maneira de ver tudo simples, não gostar de tentar complicar a vida, achar que tudo poderia fazer e nada mudar o que você desejar ser intrigava-me totalmente, fugia do meu campo de raciocinar se aquilo podia mesmo existir ou era mero mimo de berço materno. Com uma visão de mundo maior hoje, eu vejo que a vida é complicada sim, temos problemas piores do que dirimimos ontem e se não fizermos nada para apaziguar essa treva que é viver morreremos vivendo a cada dia rumo à escuridão. Eu não quis ouvir toda a sua história, eu não saber de seus relacionamentos anteriores, eu não deixei você se expressar. Achava que se eu encontrei alguém em que o sexo é bom e me ama loucamente, para que saber mais dessa pessoa? Para gostar loucamente dela e depois sofrer pensando naquilo? Eu me tornei distante e você tentando ser presente. É sempre um jogo de Tom e Jerry? Nunca saberei ao certo o que você queria dizer quando eu não atendi suas ligações, não saberia explicar o que você viu naquele Arthur gélido e muito menos se o remorso seria um bom remédio para tapar o que você deixou em mim. Você é maravilhosa, porém perfeita de mais para me ter. Quando eu consegui explicar essa dualidade entre perfeição e desejo, prometo que te encontrarei novamente. Seja onde estiver, Nutri. Você foi muito importante para mim, sem saber.
sábado, 30 de julho de 2011
Sentado no Divã: minhas eternas noites de insônia.
Antes de qualquer coisa, não me venha com reclamações,
Clóvis. Eu sei que eu sumi. Não se acostumou ainda pelo jeito. Eu e a minha
linda mania de fazer tudo cronometrado meticulosamente em minha rotina, dando
espaço a prioridades, e às vezes, esquecendo daquilo que realmente me faz bem. O
importante, é que a insônia e a lua cheia fazem-me lembrar de você. Seja paciente comigo.
Ah, se eu estou
diferente? É o que as pessoas dizem. Desde que entrei para academia deixei uns
quilos para trás e ganhei uma breve mudança em meu corpo. Não digo definições,
nem muito menos músculos, digo que parece que mudei tanto, que à uns dias atrás
eu nem me reconhecia nas fotos e nem no espelho. Não tenho mais aquela cara de
criança fotogênica e o meu corpo está naquele processo de pertencer a um futuro
rato de academia. Antes as pessoas me davam 22 anos, hoje, estou escutando que
tenho 25 anos, no mínimo. Como as mudanças interiores podem nos transformar
tanto? Se mudamos, tudo muda. Hoje eu sei o real significado disso. Deve ser o
mesmo que dizem quando pensamos coisas boas, atraímos coisas boas, porém não é
muito isso que acontece nessa vida severina que muitos levam.
Se me considero parte daquele Arthur que começou a
escrever em novembro do ano passado e hoje está totalmente diferente? Creio que
aquele Arthur se modificou. Nunca mudei minha personalidade, apenas a aprimorei.
E com certeza carrego bagagens daquela vida antes dos textos. Estou começando a
sentir que estou percorrendo o atalho da felicidade certos dias, ou apenas em
certas horas de minha vida. Passei em segundo lugar na faculdade de Direito. Eu
sei que foram usados apenas como métodos de avaliação o meu histórico escolar e
uma redação. Mas convenhamos? Com o tempo, mesmo eu ainda sendo um iniciante nas palavras,
eu fui aprendendo a como manuseá-las. O tema ajudou. Felicidade e remédio.
Poderia escrever um livro sobre isso. Botar uma pessoa que já sofreu tanto na
infância, que nunca teve aquela casa com janelas douradas e cafés da manhã na
mesa com seus pais, que sempre teve que se virar ao máximo para
conseguir aquilo que quer, uma pessoa que conseguiu superar uma depressão sem
ajuda de remédios ou analistas, realmente tem muito para falar sobre
felicidade. Não fui para uma federal, Clóvis, mas só de sentir o prazer que é,
você passar nessa colocação e poder escolher, se quiser, entre as faculdades
particulares de sua cidade qual você quer cursar, já me tira um peso e tanto
das minhas costas. Minha vida de “vagabundo”
vai acabar segunda-feira. Foi um ano parado, um ano podendo fazer o que eu bem
entender, um ano acordando a hora que mais me convém, três meses tendo apenas
como compromisso a academia, o melhor e mais melancólico tempo da minha vida.
Espero que os pais compreendam, um dia, esse tempo que o filho precisa para
formular sua vida. Afinal, é uma transição de adolescência para adulto. Exige
grande garra, compreensão e apoio nas dúvidas e desejos. Hoje eu sei o que eu
quero, sei como a vida pode ser conduzida. As dúvidas sempre vão existir, mas a
maturidade adquirida irá fazer o seu papel de confortar pelos "ups and downs" da
vida.
Para comemorar ao meu estilo, resolvi encontrar uma pessoa. Não nos
víamos há quase um ano, não foi muito boa a última vez.
Dessa vez foi maravilhoso! Fomos até o King’s. Nunca tinha ido até lá, sempre o achei
caro. Mas dinheiro realmente tem importância quando você já passou no
vestibular? Para mim não tem, eu ganhei de presente isso tudo. Foram 3 horas
contadas no relógio de um vermelho intenso e um quarto que lembrava muito a
imagem da iluminada Paris. Ao final, entrei na ducha quente e não quis sair de
lá. Era o meu momento e não queria compartilhar com mais ninguém. Deixei tudo
que eu queria pensar viesse à cabeça para ir embora junto com a água pelo ralo.
O banheiro era pura fumaça, diferente da fumaça que brotou na cama horas
passadas. No espelho deixei um “Buona Sera” a quem iria limpar o quarto mais tarde. Queria
compartilhar a minha felicidade com o mundo naquele dia, Clóvis. E quer saber? Problemas todos nós temos e sempre
teremos como pedras em nossas carteiras que nos fazem caminhar mais devagar. Dias tristes virão como a certeza do
Sol em um dia nublado. Lágrimas irão cair ao assistir um filme de romance assim
como a chuva de verão vem para nos confortar do calor. É nessas horas de
felicidade que vemos como a vida pode ser bela ao ser vivida ao máximo. "Eu me vivo", ao máximo. Foi assim e espero ser para sempre dessa maneira. Afinal, "I was born this way". Até algum outro dia, meu grande amigo. Fui ser feliz!
domingo, 10 de julho de 2011
A vida de um Augusto (2)
Capítulo II
O que você mais se lembra de sua infância?
Um parque
divertido? Manhãs acordando tarde e chegando atrasado para brincar na rua
simplesmente porque ficou em casa assistindo Três Espiãs Demais ou Bob Esponja?
Ou da escola que tinha como quintal o mar de uma cidade litorânea?
Eu vivi os
meus primeiros cinco anos sabendo que eu não tinha uma família como às outras.
Comecei morando com os meus avôs paternos e de repente me vi na casa de minha
bisavó. Quando se é pequeno você se agarra em alguma esperança, eu sempre
imaginava que aquilo que estava faltando iria ser completado um dia.
A única
lembrança que tenho de meu pai foi quando demos comida aos nossos canários azuis
que ficavam no quintal da antiga casa. Depois eu só conseguia me enxergar
sozinho, naquele mesmo quintal, comendo a parte recheada do biscoito e tacando
a metade ausente de chocolate no lixo.
Não se tinha muito que fazer quando eu
ainda morava naquela antiga casa. Parecia que a minha única obrigação era lembrar-se
de colocar a canequinha colorida dentro da mochila para hora do recreio na
escolinha do dia seguinte. Não sabia o que era ausência e muito menos o
significado de saudade. Não via minha mãe durante o dia e a noite, quando não
estava trabalhando, estava se divertindo em algum lugar da cidade. Minha bisavó
que hoje está ausente de mim era a minha maior devoção.
Como ela pôde agüentar todas
as minhas perguntas? Como ela conseguia tirar tempo para brincarmos toda noite
de jogo da memória ou ler alguma história para mim? Como ela
conseguia suportar ficar acordada mesmo sabendo que teria que madrugar no outro
dia apenas para ficar assistindo escolinha do professor Raimundo comigo ao seu
colo?
Bons tempos. Lembro até hoje que ao deitarmos eu não gostava da cama de
casal, eu preferia uma bicama: eu dormindo em cima e ela embaixo. A mão de
minha bisa tinha que ficar segurando a minha até eu pegar em sono profundo,
senão eu despertava, chorando como qualquer criança que ainda tinha o seu
direito de chorar.
Há amores que não conseguimos explicar. O amor de minha bisa
por mim fazia parte de algum tipo de amor que além de gostar de cuidar, tinha
toda a paciência do mundo mesmo quando eu estava errado e merecia um castigo.
Eu nunca a vi chorar. Mulher de ferro era essa minha heroína.
Quando completei
cinco anos, minha mãe conheceu a pessoa que dizia ela ser o amor de sua vida.
Ainda não entendo como uma jovem que dizia já ter sofrido tanto achar o maior
dos vilões de um filme de terror. Pelo menos para mim, ele se tornaria o meu
vilão nos próximos sete anos de minha vida e eu nem sabia disso.
Sendo criança
eu sentia medo. Chorei para não largar a minha bisa e meus avós paternos. Senti
mais medo quando soube que não haveria lei que me protegesse daquilo e quando
vi, estava chorando ainda mais indo embora da minha cidade natal e deixando
todos que eu amava e que me amavam com lágrimas nos olhos pela minha partida.
sábado, 2 de julho de 2011
A vida de um Augusto (1)
Prólogo
Bem, uma
história existe começo, meio e fim. Eu sempre fui muito rotineiro e
extremamente exigente com a ordem, portanto irei começar pela parte que eu ,se
quer, lembro-me de minha própria existência. Eu nasci em uma época de
revolução. Não no começo dela, porém em suas conseqüências. Já tinham ocorrido
aquelas matérias de história do Brasil que vemos quando estamos nos formando no
final do ano letivo do último ano do ensino médio. Era em um verão quando mais um Augusto nasceu, o que não se explicava o frio que pairava no ar devido a expectativa de minha chegada, se é que occorreu isso mesmo. Não se sabe
se foi por um simples gozo ou por uma bela gozação da vida. E desde então, devo
alertá-lo, essa não é uma nova história e muito menos uma história de amor. Você poderá rir ou simplesmente chorar
seja por alegria ou de tristeza, seja por reconhecer fatos que também ocorreram
com você seja porque você tirou um simples aprendizado e o carregou em sua
vida.
A mãe dele tinha 15 anos e seu pai 17 anos. Ambos muitos novos. Hoje quase um fato corriqueiro que vemos nos noticiários. Quando o médico terminou a cirurgia houve uma engraçada brincadeira sendo contada para os pais paternos: “Os senhores já podem sair daqui e comprar uma bola, um carrinho e uma boneca, pois três crianças sairão daqui a instantes, o seu filho, a sua nora e o seu neto”. Era de se estranhar naquela época, os valores eram outros. Ou talvez não, apenas adaptamos os valores aos nossos próprios gostos e vontades, a vida egoísta e mutável que às vezes levamos nos obriga a mudar o que somos e no que acreditamos. Augusto nasceu em verão não muito longo, mas o suficiente para ser um jovem hoje. Uma criança que iria viver tudo o que queria viver, ter um coração viajante e uma mente que seria os seus pés fora do chão.
Seu nome traduzido para o latim o tornaria um homem apto e capaz de ultrapassar todas as barreiras. Ele só não sabia que seriam inúmeras e que o tempo não iria parar para ele se refazer a cada queda. Traduzido para o grego, porém, ele se tornaria aquele que é incapaz de vingança. Augusto seria a pessoa que poderia ser o maior dos vilãos, o mais triste do bairro, o mais carente dos dependentes. Nasceu com o coração iluminado. Aprendeu que o rancor só derruba uma pessoa: aquela que o sente. Hoje ele enxerga assim, entretanto não foi bem assim que ele viveu pelos anos decorrentes.
Até onde começa e termina a infância? Para a medicina e pedagogia há um tempo específico. Augusto sempre a considerou parte dele. Hoje ele não a apaga, pois sabe que cada acontecimento deixado de lado, junto com as suas feridas, seria um aprendizado sendo esquecido. Ele parece maduro. Só parece. Ele aprendeu com as experiências, nunca precisou de livros ou relatos de quem já viveu. Ele teve uma infância. Com certeza, não são aquelas contadas em filmes de finais felizes e nem muito menos com famílias perfeitas...
A mãe dele tinha 15 anos e seu pai 17 anos. Ambos muitos novos. Hoje quase um fato corriqueiro que vemos nos noticiários. Quando o médico terminou a cirurgia houve uma engraçada brincadeira sendo contada para os pais paternos: “Os senhores já podem sair daqui e comprar uma bola, um carrinho e uma boneca, pois três crianças sairão daqui a instantes, o seu filho, a sua nora e o seu neto”. Era de se estranhar naquela época, os valores eram outros. Ou talvez não, apenas adaptamos os valores aos nossos próprios gostos e vontades, a vida egoísta e mutável que às vezes levamos nos obriga a mudar o que somos e no que acreditamos. Augusto nasceu em verão não muito longo, mas o suficiente para ser um jovem hoje. Uma criança que iria viver tudo o que queria viver, ter um coração viajante e uma mente que seria os seus pés fora do chão.
Seu nome traduzido para o latim o tornaria um homem apto e capaz de ultrapassar todas as barreiras. Ele só não sabia que seriam inúmeras e que o tempo não iria parar para ele se refazer a cada queda. Traduzido para o grego, porém, ele se tornaria aquele que é incapaz de vingança. Augusto seria a pessoa que poderia ser o maior dos vilãos, o mais triste do bairro, o mais carente dos dependentes. Nasceu com o coração iluminado. Aprendeu que o rancor só derruba uma pessoa: aquela que o sente. Hoje ele enxerga assim, entretanto não foi bem assim que ele viveu pelos anos decorrentes.
Até onde começa e termina a infância? Para a medicina e pedagogia há um tempo específico. Augusto sempre a considerou parte dele. Hoje ele não a apaga, pois sabe que cada acontecimento deixado de lado, junto com as suas feridas, seria um aprendizado sendo esquecido. Ele parece maduro. Só parece. Ele aprendeu com as experiências, nunca precisou de livros ou relatos de quem já viveu. Ele teve uma infância. Com certeza, não são aquelas contadas em filmes de finais felizes e nem muito menos com famílias perfeitas...
sábado, 18 de junho de 2011
Sentado no Divã: 4ª semana, 1 mês, 31 dias que voaram.
Na boa, Clóvis? Eu não sei se o tempo parou, não passou ou
ficou em câmera lenta e hoje ele resolveu alarmar-me: “Hoje são dia 18 de
junho. Daqui a 6 meses você estará com o seu destino feito, viajando para algum
lugar devido às suas férias de verão e estará maravilhado com a magia do Natal
que traz com ele, em poucos dias depois, o seu aniversário de 20 anos.” Eu estava retornando à casa depois de mais
uma série exaustiva na academia quando o Sr. Tempo resolveu sussurrar em meus
ouvidos quase fazendo-me perder as estribeiras. Eu não sei você, mas eu acordo
e de repente, estou em outro mês, Clóvis. Eu estava conversando isso com a
minha avó esses dias e a questionei-a (para não perder o costume do Sr. "Pergunta Tudo"): “ – Vó, na sua época o dia tinha realmente tinha 24 horas? Hoje eu acordo e
tenho que checar no meu celular alguma hora livre e encaixar com outra para ter
as horas da academia diária. Tem horas que fico até triste, porque eu sei que
você gosta de conversar e eu queria até te dar mais atenção, mas está difícil.”
Hoje faz um mês, Clóvis. Um mês que eu vi aquela lua cheia pela vidraça do
banheiro e te achei. Ainda bem que te achei, porque se não, eu estava mais
sozinho que o “Grinch” no Natal. Chegou um certo tempo da minha vida que eu tive
que escolher entre meu futuro ou ficar estático, na mesma, como eu estava. Não
reclamo dessas conseqüências, mas a minha outra rotina era muito mais
divertida, cheia de amigos à volta, paixão, encontros. Eu estou lutando e vamos ver no que vai dar.
Nunca deixei de abrir os olhos para as coisas simples e sei que amizade é como
o sol em um dia nublado, você não precisa vê-lo para saber que ele está lá.
Tudo vai se ajeitar, por isso rezo. Temos que brindar, afinal hoje
você recebe seu primeiro pagamento de mim. Nossa como isso é caro! Subiu mais
que o preço da gasolina desde quando eu fazia terapia à tempos atrás. Quero
desconto. É a vista e eu tenho meus direitos. Calma Clóvis, estou brincando,
relaxa. Sim, eu sou assim no meu dia-a-dia. Gosto de sempre ter um desconto,
nem que eu tenha que usar todo o meu sangue italiano e simpatia que tenho para
isso. Ganho tantas coisas com isso, você nem imagina. Outro dia mesmo a “tia”
da padaria desatou a me elogiar em pleno ato do meu pagamento, não obstante a
sobrinha dela começou a me olhar e também falou da minha beleza. Eu fiquei
super vermelho, mas foi tão bom. Eu estou voltando a ser como eu era, até
emagreci e estou com mais “músculos” como diz minha tia. Que bom, né? Sim, eu
sou egocêntrico e prepotente. Eu me dou valor. Também sei ser humilde, porém se
você não se auto valorizar, quem irá? Você tem que se olhar no espelho e falar:
“- Eu te pego, gato!” e sair com o nariz mais empinado do mundo porque sua
roupa finalmente te serviu de novo. Como recompensa, pode até comer a pipoca da
tia do ponto com queijo e calabresa. Gordo? Que nada, isso é gratificação por
um bom trabalho. Estou com olheiras tão amostras assim? Nem te conto. Minha mãe
fez uma cirurgia de redução de estômago. Aquelas por vídeo, sabe? Coitadinha,
ela já tinha feito milhares de dietas, tomado inúmeros remédios de rato e até
plástica, mas nada deu certo. A família é “larga”, você tem que entender. Não
ria, babaca! Você deve ser magro de ruim. Enfim, ela se entregou a cotar seu
estomago e reduzir para sempre o seu gosto pela comida. Fiquei no hospital
de acompanhante com ela. Meu Deus! Aqui vai o meu parabéns a essas pessoas que
já passaram por isso. São tonteiras, vômitos, dores de cabeça, mal estar,
copinhos de 50ml a cada 30 minutos, remédios, dreno. Tive que aprender sobre
tudo isso e ajudar a minha mãe a segurar essa barra. Graças a Deus, tudo está
bem. Mais um sonho que ela realiza: Ser magra. Eu fico bobo com ela. Tudo que
ela luta, ela consegue. Eu quero ser igual ela um dia: ter fé e confiança em
tudo que fizer. Façamos um brinde antes que esquente. Tin Tin, Clóvis: a mais
um mês, a mais um mês que você está escutando-me semanalmente. E como diz a
música italiana: “Cameriere, Champaghe!” Buona Notte. Ce vediamo in la prossima
settimana, mio caro amico.
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Galã Dry Martini
-
Pensei que esse lado da festa estava vazio e esse deck mais vazio ainda, mas
vejo que já tem gente.
- Vazio? Isso é uma festa da elite carioca. O que você esperava? Um par de gatos pingados?
- Que fumaça é essa? Você está fumando?
- Vazio? Isso é uma festa da elite carioca. O que você esperava? Um par de gatos pingados?
- Que fumaça é essa? Você está fumando?
- Não, é o carro dedetizador que passou por aqui. Não o viu não?
- Você nunca fumou. Sempre falou que nunca iria estragar o esmalte de seus lindos dentes e de seu sorriso que tanto te orgulhas.
- Comecei há pouco tempo. Gradualmente foi virando hábito e, você sabe, hábitos são coisas que dificialmente conseguimos mudar em nós mesmos.
- Quando eu fumava você incomodava-me com suas ladainhas intermináveis sobre saúde. Não te recordas? Tive que ser grosso até, falando que quando me conheceu eu já fumava.
- Pois é. O problema é que saímos uma única noite. E eu só pedi para você não fumar por causa da minha alergia. Não queria ficar com o nariz como uma coelha perto de você, seu idiota.
- Você não muda nada. Sempre tentando se colocar por cima, ser superior a todos e principalmente, tentou ser durona demais para eu não te conquistar.
- Como te atreves? Eu só não queria ser mais uma em sua interminável e nojenta listinha de pessoas que tu carregas na memória de seu celular. Eu não queria ter sido a outra que iria ficar esperando a sua ligação no dia seguinte. Não queria ter que ficar encarando as outras pessoas na rua e tendo que controlar-me devido ao meu ciúme doentio. Eu não queria ser aquela que apenas foi uma diversão ou cobaia para cair em uma das grandes conversas do sexo masculino.
- Mas você cedeu. Você me beijou quando nos despedimos. Você queria mais.
- Quer saber? Eu queria mais sim. Eu tentei me preparar antes. Eu sabia que você estava falando todas aquelas coisas que eu queria ouvir, ligando nos momentos que você sabia que eu estava estudando e queria ouvir a sua voz. Eu me fiz de “difícil”. O que eu ganhei em troca? Uma simples ligação de boa noite e um prazer em te conhecer. Você esperou muito de mim? Desculpe, ainda sou humana, queridinho.
- Eu não esperei nada de você. A propósito eu não sei nem o que eu queria na época. Recordo-me que queria namorar.
- Que lindo. Falha de memória logo agora, “rude boy”? Está aí o problema em lidar com o sentimento dos outros. Ficamos tão egoístas correndo atrás de uma sassiação avassaladora dentro de nós mesmos que esquecemos que a outra pessoa também tem sentimentos, expectativas, espera de um mínimo de respeito.
- Eu não queria te magoar. Sabia que você era para namorar, porém não queria ficar muito preso. Eu sou aventureiro e bonito. Preciso curtir muito a minha vida de solteiro e minha liberdade. Mesmo que isso me custe agora achar alguma razão para que alguma coisa me mostre onde a felicidade está.
- É verdade, eu fui a tonta. Quer saber? Vou parar de fumar a partir de amanhã.
- Nossa! Quanta rebeldia! Por que isso tudo, gatinha?
- Simplesmente porque eu não quero chegar a sua idade fumando em um local afastado, sozinho, remoendo coisas que já se passaram e tentando achar alguma coisa que faça sentido para ser feliz. Eu sou feliz, sei que sou. Uma dica: Não é o Dry Martini a bússula para felicidade. Aliás, você fica muito bem com essa taça. Não sei quem é o mais amargo, se é seu veneno galantiador que escorre de sua boca quando queres. Segue na sombra, se não o sol pode queimar esse seu cabelinho pastoso de gel. Lindinho. Imitação de Shakespeare barata do mercado popular.Um beijo.
- Você nunca fumou. Sempre falou que nunca iria estragar o esmalte de seus lindos dentes e de seu sorriso que tanto te orgulhas.
- Comecei há pouco tempo. Gradualmente foi virando hábito e, você sabe, hábitos são coisas que dificialmente conseguimos mudar em nós mesmos.
- Quando eu fumava você incomodava-me com suas ladainhas intermináveis sobre saúde. Não te recordas? Tive que ser grosso até, falando que quando me conheceu eu já fumava.
- Pois é. O problema é que saímos uma única noite. E eu só pedi para você não fumar por causa da minha alergia. Não queria ficar com o nariz como uma coelha perto de você, seu idiota.
- Você não muda nada. Sempre tentando se colocar por cima, ser superior a todos e principalmente, tentou ser durona demais para eu não te conquistar.
- Como te atreves? Eu só não queria ser mais uma em sua interminável e nojenta listinha de pessoas que tu carregas na memória de seu celular. Eu não queria ter sido a outra que iria ficar esperando a sua ligação no dia seguinte. Não queria ter que ficar encarando as outras pessoas na rua e tendo que controlar-me devido ao meu ciúme doentio. Eu não queria ser aquela que apenas foi uma diversão ou cobaia para cair em uma das grandes conversas do sexo masculino.
- Mas você cedeu. Você me beijou quando nos despedimos. Você queria mais.
- Quer saber? Eu queria mais sim. Eu tentei me preparar antes. Eu sabia que você estava falando todas aquelas coisas que eu queria ouvir, ligando nos momentos que você sabia que eu estava estudando e queria ouvir a sua voz. Eu me fiz de “difícil”. O que eu ganhei em troca? Uma simples ligação de boa noite e um prazer em te conhecer. Você esperou muito de mim? Desculpe, ainda sou humana, queridinho.
- Eu não esperei nada de você. A propósito eu não sei nem o que eu queria na época. Recordo-me que queria namorar.
- Que lindo. Falha de memória logo agora, “rude boy”? Está aí o problema em lidar com o sentimento dos outros. Ficamos tão egoístas correndo atrás de uma sassiação avassaladora dentro de nós mesmos que esquecemos que a outra pessoa também tem sentimentos, expectativas, espera de um mínimo de respeito.
- Eu não queria te magoar. Sabia que você era para namorar, porém não queria ficar muito preso. Eu sou aventureiro e bonito. Preciso curtir muito a minha vida de solteiro e minha liberdade. Mesmo que isso me custe agora achar alguma razão para que alguma coisa me mostre onde a felicidade está.
- É verdade, eu fui a tonta. Quer saber? Vou parar de fumar a partir de amanhã.
- Nossa! Quanta rebeldia! Por que isso tudo, gatinha?
- Simplesmente porque eu não quero chegar a sua idade fumando em um local afastado, sozinho, remoendo coisas que já se passaram e tentando achar alguma coisa que faça sentido para ser feliz. Eu sou feliz, sei que sou. Uma dica: Não é o Dry Martini a bússula para felicidade. Aliás, você fica muito bem com essa taça. Não sei quem é o mais amargo, se é seu veneno galantiador que escorre de sua boca quando queres. Segue na sombra, se não o sol pode queimar esse seu cabelinho pastoso de gel. Lindinho. Imitação de Shakespeare barata do mercado popular.Um beijo.
terça-feira, 7 de junho de 2011
As Cariocas: Paty – a mais linda da cidade.
Ontem acordei com um desafio a fazer, lembrado barulhosamente pelo meu celular: visitar a minha avó que mora no outro lado da cidade. Minha cidade não é muito grande como as grandes metrópoles regionais, mas quando você depende de usufruir de transportes públicos, cada milha percorrida torna-se quase uma passada de tartaruga. Digo desafio, pois é em um bairro longe, se não, trocaria para outra hora e nem precisaria tomar banho gelado e vestir minha cueca Box AD de um ex relacionamento meu. Foi engraçado de lembrar. A cueca é preta, mas ela gostava quando eu usava vermelho, dizia que era a melhor cor para mim, um pecado. Entretanto deu-me preta usando a justificativa imatura que quando terminássemos não queria pensar eu com outra garota usando sua cor predileta em mim. Ela se foi e a cueca ficou. Sob forte neblina coloco um agasalho bem quente, perfume e um pouco de coragem na cara para encarar a rua e seu vento gélido. Entro no segundo ônibus, encontro com a minha avó, almoço e retorno para os meus afazeres estudantis pela tarde. Olhando pela janela do ônibus eu a vejo. “Não posso acreditar no que eu estou vendo. É realmente ela depois de todo esse tempo?” Fico mais frio que um iceberg. Abaixo a cabeça e finjo estar estudando uma apostila de direito. Ela chega até a roleta, olha para o trocador e menciona um boa tarde e implanta um sorriso naquele rosto modelado pelos deuses. Ela senta-se distante. Eu não consigo mais pensar em nada. Minha blusa estava do avesso. Eu a olho passar, óbvio que ela não se lembra mais de mim, já passa mais de um ano que não nos vemos. Ela desce em seu bairro e eu a olho de relance. Calça jeans, blusa de gola e um casaco por cima, salto alto nos pés. Certamente estava voltando de seu almoço e mais tarde iria para faculdade. No ônibus começou a velha história a ser refeita novamente em minha cabeça. Eu a conheci quando tinha 17 anos através de uma amiga distante. No nosso primeiro encontro eu não tinha visto nenhuma foto dela, apenas de seu corpo, confesso calorosamente. Não fui nada arrumado, nem estilo “garoto de programa” (aos alienados: calça jeans e blusa preta, de preferência, pólo) eu estava. Quando entrei em seu carro eu tremi e engoli um: “Uau! De onde você caiu? Do Olimpo, foi?” Cabelos lisos castanhos claros com pinceladas loiras, olhos azuis bem escuros (ou seja, nada original, pois eu só tinha visto olhos azuis de piscina), dentes brancos e um sorriso que desarmava ate um assaltante. O ar condicionado exalava um cheiro de hortelã e perfume Grabiela Sabatini. Nunca soube sua profissão ao certo, ora ela dizia fazer administração, ora direito. Não me importava. Eu estava mais preocupado em ver se eu ia receber meu primeiro “toco” do ano ou se ia ganhar na loteria. Para sorte de um, alegria minha, eu ganhei. Não podíamos fazer tudo, mas tudo que fizemos valeu por todas as coisas que eu fiz no ano. Depois de alguns meses nos encontramos de novo. Eu estava entrando em um relacionamento, mas não queria perder a chance de sair com ela novamente. Ficamos dentro do carro em uma das ruas do Belvedere. Dava para ver todas as luzes cintilantes das estrelas acima e das casas abaixo. Eu sabia que aquele dia poderia ser uma despedida. Certamente foi. Com a minha aptidão nata e super desenvolvida de descobrir as coisas, com ela não podia ser diferente. Paty, como gostava de ser chamada, quis voltar para o marido. Sua família estava a obrigando à fazer aquilo. Eu não tive o que dizer. O que eu esperava afinal? Que uma pessoa adulta trocasse tudo para namorar um fedelho que mal sabia o que é se tornar um adulto na vida real? Um garoto que só pensava em estudar nos finais de semana e beijar na boca durante a semana? Eu me iludi muito, como sempre. Voltando para casa hoje, passei pela pracinha onde nos conhecemos. Deitei no banco. Senti o frio penetrar em meus pulmões. Deixei que Paty trouxesse à tona todas aquelas sensações que ela era capaz de provocar em mim. Talvez eu nunca mais a veja, talvez nos encontremos um dia em algum tribunal. Ela foi a menina mais linda, encantadora, educada, simples, moderna que eu já tive ao meu lado. Não vou deixá-la sair da minha mente. Pequenas paixões é o que faz o nosso barco da vida velejar. Fizemos três viagens. Para que mais? Um segredo: Como foi bom estar a bordo com ela de novo hoje, mesmo que em memória. A garota que é o sonho de qualquer ser, pegou o barco de uma rota distante.
"As paixões são como o vento inflando as velas dos barcos. Podem até fazê-los naufragarem, mas se não fosse ele, não haveriam passeios, aventuras e descobertas". (Voltaire)
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