sábado, 27 de novembro de 2010

Aldeia. Reconhecimento. Aceitação.


- Por que você está contando tudo isso para mim?
- Porque eu confio em você.
 “I promisse”

Dia com compromisso, dia de arrumar todas as coisas para a viagem. Wise up: momento de espera, fechamento de contrato, espera por uma amiga. Aldeia. Como todos os meus encontros sempre coincidem na hora de comer (por que né?), se tornam verdadeiros talk shows com o passar das horas. Uma hora o entrevistado joga uma polêmica, outra hora partes da infância e adolescência, outra apenas fica escutando a outra pessoa discursar. Com o passar do tempo você tende, a saber, mais da outra pessoa do que ela própria para consigo e isso se torna um bom caminho para as muralhas, que regem o espaço íntimo de cada pessoa, possam ser bombardeadas com a verdade íntegra, revelações mantidas em segredo e aumento da confiança. Duvido que muitos encontram pessoas que se relacionavam tão mal e agora se tornaram irmãos de coração, essa modalidade não pode ser encontrada nas prateleiras de supermercado, quitandas e no mercado livre.Ela é cativada, construída dos pés ao firmamento e também reformada a cada dia, para que sempre tenha o aspecto saudável, amiga e aconchegante. Hora de comer.  Hora dos segredos a mesa, lareira com marshmallows. No começo pensei que haveria rejeição, troca de amizade e até mesmo incredulidade. Se houve, não ouvi, apenas senti e vi um sorriso: - amizade é quando a gente não só ama as qualidades de uma pessoa, mas também seus defeitos. Seria esse um defeito? Ou um modo de vida? Até poderia formular uma teoria, mas a felicidade não deixou. Cada segredo na lareira era como se fosse uma “lavação de roupa suja” entre amigos. Você sempre pode esperar cada vez mais. Linhas antes tortas começam a se endireitar. Caminhos antes escuros começam a se iluminar. O mais engraçado foi que a cada hora que passava, era como se um fosse vendo um flash back da vida do outro e tomando suas próprias conclusões. Não apenas ratifiquei uma amizade em uma apoteose, mas ganhei uma pessoa que sabe da minha vida e que mesmo assim, se alegra quando esta em minha presença.

“- Você é a minha consciência!” 


Chuva bate na janela. Desapego. Insetos


Novembro é o mês que mais vejo chover na Cidade do Aço. Junto a essa chuva ora desencadeadora de momentos felizes de nossa infância ora detentora de mudar nossas decisões, vejo insetos invadindo meu quarto. O que eles querem de mim? Meu sangue é AB, o mesmo sangue de Jesus Cristo (perceba que os portadores dessa proeza sempre usam esse exemplo, eu não poderia fugir a regra, foi mal), meu corpo é apenas uma máquina de meus pensamentos e como estou sem paciência, minha ordem seria a execução em série como uma criança tentando matar as moscas que a circundam após chegarem do pasto e ter enfrentado um pique pega na lama. Mas como os insetos, estou deixando meu lugar de origem e vagando em busca de abrigo, proteção e alimento. O aumento no aquecimento global está destruindo seus lares e os obrigando a invadir lugares nunca antes visitados, o aumento de meu desapego está me obrigando a achar lugares nunca antes sentidos, imaginados, sonhados e até mesmo considerados como uma aventura louca por uns.  Meu desapego está se transformando em uma borracha e ao mesmo tempo em um marca-texto. Apagar o que está errado e seguir em frente com as conseqüências proeminentes dos atos, sublinhando em destaque meus acertos e momentos que eu pude ver que a felicidade se encontra. Confesso que é difícil quando o dia vem eu deixar a pessoa que amo (ou penso que amo, imagino que amo, finjo que amo) partir, pois sempre imaginei que além do horizonte deve ter um lugar bonito para se viver em paz, para que eu possa descobrir desenhos em nuvens, mas infelizmente tive que dizer para que ela viva todo seu mundo, sinta toda sua liberdade e quando a hora chegar que ela possa voltar e descobrir que o lugar dela é junto a mim e que eu continuei seguindo por ela e por mim. É difícil dizer adeus, muito mais difícil do que dizer “eu amo você”, mas chega a certas partes da vida que você não tem escolha, não existe o topa ou não topa nesse canavial de paixões. A saudade destrói-me e sempre tenho que criar e morfar forças que não sei de onde vêem e dizer a mim mesmo: “o que está no passado tem motivos para não fazer parte do seu presente.” (Shakespeare), mas senhor poeta: - Quais seriam os motivos? Tudo é culpa minha? Onde foi que eu errei? Infelizmente, até hoje, neste exato momento, não tenho nem formulado em minha mente a resposta da primeira pergunta quanto mais da última. Coisas que eu sei: Viver uma vida com um amor é complicado, viver sem ele é loucura. Muitos dizem, mas poucos sabem a respeito dele. Where’s the Love, Black Eyed Peas? Creio que está em algum atalho rumo a uma campina com raios de sol formando desenhos no chão por causa do movimento das árvores, água fresca, um ventilador e um repositor energético. Algum atalho depois de uma estrada árdua e necessária de desapego.

Arthur Kaiser
23/11/10
23hrs48min


Doce Novembro, Arco-íris, Memórias


Uma chuva começa a cair em uma nostálgica tarde, encontro marcado. Saiu e vejo o sol se abrir, como pode? Casamento de viúva logo hoje? Duvido que seja. A pessoa chega em seu carro vermelho, carro de aventuras - eu suspeitei - olhou me aos olhos e sorriu (será que eu estava com um alface no dente ou mais preto que na foto?). Seus cabelos, ah seus cabelos, Iracema os invejaria, colocados na brisa do vento vespertino e sua boca mais vermelha que da Branca de Neve dizendo: where are you going, dear?. Aonde vamos? Poxa, sabe aquela sensação de qualquer lugar é o lugar com uma pessoa certa? Foi exatamente o que senti.  Encontramos um “beira de estrada” e nos refugiamos do mundo. Cada beijo, cada carinho, cada gesto mais selvagem, mais intenso, mais fugaz, fez me crer que eu consegui superar mais uma indelével parte ruim de minha vida. Quando acabamos, ficou aquela dúvida no ar: e agora? acabou tudo? Foi apenas um sonho? No carro, lembrei-me de um poema que diz que quando uma pessoa se cala, é a sua vez de demonstrar, e pela primeira vez, eu demonstrei: - Adorei estar com você, Obrigado. Quando ouvi a resposta cheguei a uma conclusão: Não foi apenas um sonho, eu sou o sonho, para uns posso passar e intensificar o momento tão rápido quanto um deseja vu, para outros sou uma sombra de memória encapsulada no lado mais negro e esquecido da alma. Tudo que você diz e age repercuti indiretamente ou diretamente na pessoa próxima e não adianta você ser bonito, com um belo sorriso e até com um senso de humor inato pois quando você tem 18 anos, começando a sua vida agora, não tem idéia do que ocorrerá no dia seguinte, você vai ser visto como um estepe, uma fugidinha rápida da rotina ou alguém que simplesmente não pode ser levado a sério. Todo esse dia repercutiu em minha vida: estou mais feliz, com um chupão no pescoço e mais magro pela quantidade de calorias queimadas naquela fogueira sem fim, aquela fogueira de paixão.

“- Eu também adorei estar com você. Deseja repetir de novo algum dia? eu sou casada, só espero que você não me ligue e entenda minha situação, meu doce novembro.”

23/11/2010
20hrs23min


sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Volta Redonda, 18 anos, aborrecente


   Quase chegando o próximo dia e estou aqui tentando entender mudanças comportamentais, rotineiras, supérfluas aos olhos de “um adulto”. Acho que para entender tudo isso, precisaria entender o porquê de bocejarmos quando vemos alguém fazer esse ato, por que os homens fazem sexo e as mulheres amor ou o real sentido da frase: Por onde andei enquanto você me procurava (afinal você não irá encontrar quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você, não é?). Sinceramente me sinto um nômade, mas não um nômade como os antigos índios setentrionais americanos ou os mongóis da Ásia, mas sim como um cigano moderno ou uma criança perdida com medo do futuro “adulto” que vêem pela frente após sofrer a dolorosa separação de seus pais (“quando você não sabe aonde ir, qualquer lugar basta”... quanto a essa frase, tenho minhas dúvidas).
   Quanto ao meu passado quero que permaneça em seu devido lugar óbvio, mesmo tendo cometido: injustiças; aprisionamentos, excesividades, infantilidades, gulas no quesito amor; amadurecimento precoce infantil; sofrimentos oriundos de um mundo que eu mal havia conhecido 1/3 de toda a sua magnitude e nem devo conhecer; livros de auto-ajuda (sim, eu os li a baldes. Se hoje eu sou tão “psicólogo” é culpa de meus livros de cabeceira: ora informativos, ora dramas, ora aventuras, ora psicologia, ora os melhores Best seller.); Inesquecíveis noites de yelda (No Afeganistão a primeira noite do inverno, a mais longa do ano, é conhecida como a noite de yelda. Para os poetas, é à noite sem estrelas; a mais longa do ano e completamente escura, quando os que sofrem de amor esperam dolorosamente pelo sol para que ele possa trazer a pessoa amada ou como vocês preferirem classificar esse termo: alma-gêmea, válvula de escape, passatempo, bilisquete, objeto sexual); Noites de arrependimento, noites que não deixarei para trás; Noites de alegria suprema, quando você não consegue nem dormir devido ao excesso de serotonina e adrenalina brincando de montanha russa em seu sangue e finalmente as noites de prazer (não ia dá uma de santinho agora né? #alouka), essas sim são as noites que você só deseja um cobertor de orelha no seu cangote gemendo: Obrigada por estar aqui, eu te amo! E depois, começa o rala e rola de novo ( tcheco theco na buchaxa, dá uma maranhada, um pente, um catucadão e só não vale um chifre e rala, baixo de mais! um chifre é pouco #ahmuleke); Noites que você deita em seu travesseiro e fala: Amanhã será um novo dia (ah vá, é mesmo? E se for em algum dia de 2012? O dia depois de amanhã pode ser bem proveitoso para rever seus atos e isso acarretaria em um grande impacto profundo para você sofrer um pouco e aprender com isso,o fácil é trair e coçar - é só começar - o difícil seria mesmo dizer p.s: eu te amo, antes que termine o dia e após ouvir a verdade nua e ter passado 500 dias com ela do começo ao fim).
   Vejo meu presente como uma manhã: talvez romântica demais como a de Nova York, quente demais como a de Dubai, agitada demais como a de São Paulo e sonhadora demais como a de Londres. Vejo meu futuro como um entardecer (não como em twilight, esperando que vampiras e lobas infiltrem em minha vida para que ela, assim, faça sentido), mas como uma tarde que você não sabe o que fazer (não sabe se dorme, se assiste um bom filme, se faz os deveres de casa ou fica no PC, se trepa com uma pessoa desconhecida ou se liga para alguns amigos e saem da rotina), uma tarde que você passa na praia cantando: “que será, que será, que será, que será de mi vida, que será?”, uma tarde que você procura o seu lugar (quem não tem um lugar preferido em uma cidade e apenas o compartilhou com pessoas extremamente especiais na vida?), uma tarde na qual você olha o pôr do sol e sente-se livre como nunca antes havia sentido, sente-se renovado como uma computador high tech e principalmente amado por você mesmo (o seu eu, o seu eu mesmo e a Irene pode vir de brinde).
     E uma tarde na qual você sabe que a noite se aproxima e você não pode fazer nada para mudar essa ordem de tempo e conseqüentemente fica triste, mas depois recebe de recompensa um céu estrelado e uma lua cheia (que para muitos, ela é um presságio, detentora de lembranças, emoções como aquelas guardadas pelo coração de uma pessoa que o doou e a partir daí seu receptor passa a sentir as mesmas emoções uma vez sentidas e até a produzir a mesma linguagem corporal de seu doador).

   Penso que meu ano inspirado no livro de Liz Gilbert (comer, rezar, amar) está começando rápido de mais, mas está seguindo como sempre foi a minha vida: rápida de mais, intensa de mais e mutável de mais. Vai ser um ano que vou poder entender melhor meus sentimentos, tristezas, alegrias, excitações, sonhos e principalmente meu EU interior. Estou certo que alegria não vai faltar, sonhos poderão se concretizar e fugidinhas poderão acontecer. E aqui vou eu: um novo mochileiro carregando em sua mala, as lembranças. Em seu olhar, cada aprendizado. Em seu coração, pessoas.

E assim começa minha jornada fatídica, o meu “comer e rezar e amar” parte 1...
(Arthur Kaiser)




Por que um blog?


Pessoas questionam-me porque decidi fazer um blog. Para mostrar que sabe mexer e interagir com a Internet? Cara, sou um pato para certas coisas ligadas a tecnologia e informação, mas gosto do efeito globalizante do século XXI e um destes efeitos é a abrangência da Internet. Para querer se penetrar a um grupo onde faz parte apenas às pessoas que escrevem bem, com conteúdo e famosas? Não sei todas as regras de concordância, regência e colocação pronominal exigidos para tais demonstrações ilustres de nossa língua portuguesa; meu conteúdo é baseado em fatos atualizados tanto do mundo para comigo como eu para com o mundo, para ócios de um ou desdenhas de outros e ser famoso é questão de ponto de vista e referencial de cada pessoa avaliando a outra. Ah, então você está fazendo por modinha? Meu conceito de modinha é diferente. Não levo a sério modinhas de fumar, modinhas de “dá um tapinha” ou modinhas de pegar pessoas do mesmo sexo, apenas por diversão ou por querer repetir atos de outras pessoas, esse HOT N’ COLD teenage já é manjado e clichê. Prefiro o ser ou não ser, sua mente é seu guia e direis com quem tu andas e direis quem tu és. Depois de tudo isso, a pessoa olha para mim e fala em tom irônico: você quer ser um escritor, psicólogo? Eu apenas tenho uma resposta plausível a esta pergunta: Só existem duas coisas infinitas: o universo e a estupidez humana, hoje, agora, neste momento só tenho dúvidas quanto ao universo. Resumindo, mal sabia ela que meu todo não é soma de minhas partes e eu não poderia me encaixar em qualquer vã filosofia a dela usada. Se tivesse a pergunta: então você escreve por fogo no rabo, reconhecimento interior e externo mundano, compartilhamento de informações seja por vontade, seja por carência, escreve, pois precisa ter alguém nem que seja sua mãe para ler suas anedotas, escreve, pois é algo que você nunca sentiu prazer e excitação e agora, sem explicar o porquê sente-se completamente feliz, como se fosse o seu momento, escreve porque as palavras brotam de sua mente sem explicação, mostrando a verdadeira essência e solução como a abertura do Mar Vermelho.  Se ela tivesse perguntado me isso eu levantaria minhas mãos, ergueria minhas sobrancelhas como um sinal de submissão e diria: desejastes ser psicóloga ou escritora? Inteligência é afrodisíaco, estupidez um erro e ignorância uma rua sem saída.