sábado, 7 de abril de 2012

Se namorar fosse tão fácil assim ...

E quem foi quem disse que namorar é fácil?
Quando eu via aqueles casais, tomando sorvete, felizes, demonstrando todos os seus afetos, eu pensava que devia ser divertido namorar e, principalmente, fácil. Doce mera amarga ilusão.
Namorar é você ir do inferno ao céu em apenas uma única conversa. Ter ciúme de uma única aproximação ou simples conjectura de alguém perto da pessoa que é sua por direito. Não é só botar “em um relacionamento sério” em redes sociais, é você criar mecanismos sérios para levar isso tudo a sério. Brota-se uma vontade de discutir sobre tudo, o verdadeiro lema de fazer tempestade em copo d’água. Não porque você gosta de brigar, mas porque cada palavra, cada gesto, propaga-se até você com um peso muito maior do que se fosse um amigo, um colega ou parente falando.
Deve-se controlar toda a sua expressão facial, elas não apenas refletem o que você está sentindo ou pensando, mostram ainda mais o que na essência poderia ser desnecessário. A maior luta não será para tentar se ver durante a semana, situação financeira ou equilíbrio. Sua luta será com a sua mente. Ela sim é a sua pior inimiga.
Fatos concretos são limitados, possível de serem analisados, passível de compreensão. O que a sua mente pensa, repensa, cria, destrói, foge do seu controle. Se há momentos que deveriam ser esquecidos, ela irá te lembrar, e isso irá te consumir. Nunca paramos para pensar se aquilo tudo que pensamos é a verdade absoluta na realidade, porque para nós aquilo se transforma na nossa própria realidade. Mente fértil, mente poluidora. Seria uma maravilha se pudéssemos namorar e não pensar em tanta coisa e, assim, não fazer tanta coisa. A palavra “desculpa” anda ao lado de seu companheiro “obrigado”.
 Estranho isso tudo? Ambíguo? Sim, até demais. Na verdade, nunca saberemos o que a outra pessoa sente se não nos permitimos pensar menos e sentir mais. Só teremos a certeza de nossos próprios sentimentos. Fechar os olhos e esquecer todas as mensagens de ex, telefones no celular, cantadas recebidas pela pessoa, maneiras de como foi tratado. Confiar não é luxo, torna-se necessário. Não ligar para tudo isso se torna um meio a mais de confiar, cada um a sua maneira.
Namorar é muito bom, mas é difícil. Espero sempre tentar estar preparado por inteiro. A recompensa vem depois de você fechar seus olhos. Há varias maneiras de o amor ser cego. Hoje, eu luto pela cegueira. Não só para olhar pouco, mas reparar mais naquilo que realmente importa. Amar. 

“Fico olhando essa tarde, meio fria, típica de outono. Com vento em meus olhos, fecho meus olhos e penso em nós dois. Indubitavelmente, abro um sorriso e penso no quão a vida começa a valer a pena, quando estamos bem, não só com nós mesmos, mas com a pessoa que pertence nosso coração. Abro os olhos. Vejo que poucas pessoas me entendem, algumas delas não conseguem enxergar e muito menos reparar nesse sentimento. Chego uma conclusão que ele é para poucos, seletos poucos." (Arthur Kaiser) 

segunda-feira, 26 de março de 2012

“ - Scusa, se Io sono un imbranato”


       É impressionante como a vivência nos traz experiência. Acho-a ainda mais bela quando ela coloca pessoas maravilhosas em nossas vidas. Não sei o porquê deu estar escrevendo, apenas quero botar tudo que sinto para fora de uma preocupação latente e que em muito tempo do meu dia torna-se efêmera ou duradoura. Condição esta apenas estabelecida por palavras ou atitudes que chegam até a mim.
       Hoje faz 2 semanas e 3 dias que começamos a namorar. Ainda não consigo acreditar que estou a mais de duas semanas gostando de alguém. Digo isso por eu sempre ter facilidade em gostar, mas possuo a mesma habilidade de afastar as pessoas que eu gosto ao mesmo tempo. Não sei se é a mania de ser auto-suficiente ou medo de se entregar, se é falta de coragem para admitir o que eu não entendo, ou simplesmente por não acreditar que verdadeiros casais existem. “E forse l'ho capito e sono qui”.
       A relutância em te encontrar pela primeira vez era de natureza polissêmica que seria prolixo discutir em apenas uma conversa. Ao mesmo que me sentia atraído, algo me puxava pelo pescoço, alertando-me que não poderia dar certo. Se era idade, diferentes tipos de vida, visões de experiência, diferença financeira... Não saberia dizer-te exatamente o motivo, só sei que criei coragem suficiente para ver o que poderia acontecer.
       “Scusa se ti amo e se ci conosciamo”. Momento de verdadeira guerra de quem não queria se entregar primeiro. Penedo é lindo, mas fica sempre mais bonito quando vemos um casal passeando de mãos dadas, olhando as vitrines, contando do pouco que tem coragem de se abrir, tentando se mostrar para agradar. Eu não teria outra palavra que significasse mais o que eu senti do que aquela que sentimos quando tudo está em perfeita ordem. A maneira de dormir, os “espasmos” para relaxar o músculo, a memória de como é seu rosto quando este se encontra levemente repousado em meus braços. Se algum sonho se realiza, não é apenas sonho, deve ser uma realização em algum caminho que também tenha o querer, o gostar, a vontade, o carinho, reunidos na mochila. No dia seguinte, o medo de te perder apenas com a abertura das pálpebras sob o iniciar de um novo dia. A dúvida do reencontro, a certeza de que tudo era real, e que se não fosse, caberia apenas a mim esquecer ...
       “Ciao..come stai? Domanda inutile! Ma a me l'amore mi rende prevedibile”. A chuva que caía naquele dia, o frio que fazia, tornava-se evidente que alguma coisa mudou, não apenas no tempo, com essa mudança do quente para o frio, mas também aquela minha vontade de não querer me apaixonar por alguém, de me entregar. Mando a mensagem mais infantil de todas, espero a resposta, sorrio quando ela foi positiva. Iria realmente encontrar a pessoa que eu tanto queria novamente junto a mim. Um cinema, uma fala que te deixou extasiada enquanto eu ia ao banheiro, o pedido metafórico de namoro, a aceitação tácita, evasiva, mas com toda certeza de que estaria fazendo a coisa certa, com a pessoa certa, em um lugar não muito claro. Sei que pedir para você se abrir, foi algo até mesmo intimidador provindo de uma pessoa que você apenas conheceu a algumas horas atrás. Eu queria te ouvir, sentir o que você sente, se não era apenas eu que estava me entregando, se a noite foi boa ou se aquilo seria o que para muitos era o normal, apenas um encontro.
       “Scusa se non parlo piano ma se non urlo muoio”. Eu queria a intimidade. Criar o que nunca tinha tido direito com alguém, algo sólido de natureza, se possível, concreta. A cada história contada, cada risada, cada beijo, eu ia me apaixonando. Cheguei a casa me perguntando se estávamos fazendo a coisa certa, se não sofreríamos pressão, se o trabalho atrapalharia, se a minha rotina de estudo seria um problema, como seria a reação de seus amigos, se você acataria as minhas condições, se quando eu desse o meu primeiro silêncio, como você iria reagir, até quando iria me suportar...
“Scusa sai se provo a insistere, divento insopportabile, io sono”. A segunda-feira foi àquela espécie de prova da saudade. Focar é algo pedido e necessário, mas impossível de se pensar. A espera de cada mensagem de bom dia, de palavras doces pela manhã, de como tudo aquilo estava sendo importante no rumo do futuro de ambos. Não me canso de esperar, todos os dias, desde aquela segunda, a mensagem de bom dia. Assim que a recebo lembro-me do seu sorriso, o modo como segura minha mão quando está dirigindo, o jeito de falar para me acalmar, as brincadeiras íntimas de casal, “heim”?! O meu dia torna-se outro, e quando eu não te vejo, como naquela segunda-feira, ele se arrasta, torna-se cinza, quase com um sentimento de falta que apenas é preenchido com a sua presença e o seu perfume na gola da minha camisa. Terça é o nosso dia. Almoçamos juntos, o elogio da roupa, o calor rotineiro, as conversar sobre um dia estressante, o obrigado por um amenizar a preocupação do outro, a insegurança, o momento sem falas que tentamos deduzir o que o outro está pensando. Sempre vamos juntos ao Fórum nesse dia. Pelo menos, nossa profissão é a mesma e temos o prazer, até hoje, de poder pegar uma carona no que o outro está fazendo. É reconfortante saber que depois de audiências exaustivas, eu irei ver-te novamente, trocar mais duas horas livres, por horas que são sempre guardadas no momento em que estou na faculdade. Quarta é o dia mais longo da semana. Tirando aquela que você foi me buscar na faculdade, por precisar apenas ficar ao meu lado. Fora essa, é o dia que eu te ligo tarde, atrapalho seu sono, apenas para dizer boa noite. Quinta é sempre muito agitada. Não sei se é porque o final de semana está chegando ou se a dor da saudade bate mais forte. Coincidentemente, é o dia que eu quase deixei você ir embora. O dia do meu silêncio mais terrível, do meu choro sem saída, da vontade de sumir, do momento de sentir que não sou suficiente para você, que você merecia uma pessoa melhor, eu não posso te dar tanta coisa, tanto tempo como você merecia. É um daqueles dias que eu me entristeço quando lembro o seu rosto triste, sua lágrima quase escorrendo, seu medo, seu sentimento de a cada “eu te amo” dito, eu estava indo embora e escapando de suas mãos. Eu provavelmente teria feito a maior burrada da minha vida, por simples especulações minhas, conjecturas que eu deveria te contar, da minha maneira errada de não saber pensar como um casal ainda. Desculpe-me por tudo. Obrigado por fazer entender o quanto você me ama e o tanto que sente a minha falta. Sexta é um dia de casal. O dia que eu nunca tive. De sair para namorar, comer uma boa comida, em um bom lugar e depois consumar todo o nosso amor. Eu não me canso de dizer o quanto aquela noite foi maravilhosa, de ver toda a sua entrega, de pela primeira vez, saber o que era amar uma pessoa suficiente a ponto de se entregar de maneira total, beijar, acariciar alguém que é seu e que deseja que seja assim, sem nenhum outro diapasão. Se toda sexta for sempre assim, o final de semana poderia ter as suas horas reduzidas devido a tanta intensidade.
“Ci risiamo, va bene, è antico, ma ti amo”. Sábado, dia de amigos. Contar aos meus amigos sobre você, aniversários, conhecer seus amigos, seu porto seguro. Tento ser o mais social, procuro agradar sempre. Eu sei o quanto é importante isso para você. Pode ter certeza que é muito mais importante para mim. Eu zelo pela harmonia, de não submeter a ninguém algum comportamento, relacionamento sem a conscientização individual do ato. Quando eu ouvi você falar que me amava pela primeira vez, você bebia cerveja, não acreditei, mas quando respondi, não era mentira. Eu também te amava. Fiquei com medo de você se arrepender no outro dia. Levei-te em casa. Cuidei de você. Dormimos de conchinha. Conheci seus pais. Conheci sua irmã que tanto nos apoiou e que pretendo fazer jus a pessoa maravilhosa que você e ela são. O primeiro dia do final de semana tornou-se o nosso dia “aniversário de namoro”. Domingo foi o dia que escutei o primeiro “eu te amo” seu. Fiquei triste por não ter muito tempo com você, fomos conversar, e de repente você fala: “Eu não agüento mais isto que está aqui dentro. Não sei o que você irá pensar. Só quero dizer que “eu te amo”. Não tenho medo de ser a primeira pessoa a falar isso nessa relação.” Quando te abracei, escondi minhas lágrimas, olhei em seus olhos, e abri meu coração. Foi o dia que mais nos conhecemos. O dia que sempre fazemos juras de amor eterno.
“Ti guardo fisso e tremo all'idea di averti accanto. E sentirmi tuo soltanto”. Eu também tenho receios, medos, insegurança. Temos diferença de idade, vidas distintas, diferentes horários, porém temos disposição para amar, de sentir a mudança que esse sentimento faz em nossas vidas. Eu estava pronto para você. Aguardando o dia que eu iria encontrar quem estava me procurando. A sua voz de sono que me acalma, a sua mudança de hábito, o seu tempo para mim, a sua disposição para dizer tudo que eu preciso ouvir, de não ter me largado por causa das minhas manias e medos. Não tenho medo de construir um futuro com você. Tenho medo apenas de uma coisa: do dia que você enjoar de mim, do dia que cansar de fazer tudo que você faz e diz nunca ter feito por ninguém, de cair na rotina. Eu cuido para que a cada dia possamos fazer com que seja perfeito. A cada dia nossa ligação de boa noite, nosso último sorriso, nossa última frase fazem com que eu me apaixone mais e mais. Desculpe se meu silêncio, quando eu mais quero falar e quando você mais precisa ouvir, reina entre nós. Eu me calo, não por não saber o que falar, e sim, por saber falar o que seria necessário, mas meu coração não deixa por estar batendo tão forte a ponto de deixar as palavras supérfluas e demasiadamente difíceis de serem pronunciadas.
Eu me entrego sem demora, sem desculpas, apenas de coração. Repito isso todos os dias: “Eu vou dormir pensando em você, vou acordar pensando em você e vou passar o dia pensando em você”. Dedicarei o meu primeiro sorriso da manhã à pessoa que o merece, àquela que está dentro do meu coração. – “E sono qui che parlo emozionato e sono un imbranato.”  (Imbranato - Tiziano Ferro)
Espero que tudo dê certo. Eu torço por isso. Eu te amo, Mô! 




  

segunda-feira, 12 de março de 2012

A sua única exceção

             Chego a crer que instigo as pessoas a discursarem sobre relacionamentos. O engraçado que eu nunca tive um se quer para dizer como exemplo. Não conto paixões de adolescente, beijos de uma noite ou “pseudo relacionamentos modernos” porque sei que no fundo não é o que as pessoas querem. Isso é uma fase. Depois de acordar, você ainda vai continuar a só com o seu copo de vodka na mesinha de canto.
O que eu sempre desejei era apenas uma coisa: ser eu mesmo com alguém ao meu lado. Você monta um perfil, acredita e se auto- intitula dono daquelas mentiras que soam como verdades apenas para conquistar uma coisa. Pode até funcionar, mas isso não dura muito tempo. Você cansa de ser ator 24 horas por dia. Aprendi com Martha Medeiros que nos apaixonamos pelo jeito da pessoa. As características nem sempre podem ser ditas e nem todos os porquês respondidos. Hoje eu acredito em exceção.
Haverá pessoas que o ciúme não trará dor de cabeça para ela, trará segurança. Sua possessividade será demonstração de afeto que a pessoa tanto precisa para poder se abrir. Ela vai te instigar a escrever, a cantar canções cafonas. Vocês irão escutar “California King Bed” em um carro embaçado de tantos beijos que ali estiveram presentes, sob a sua condição que será o único a ter esse direito enquanto vocês estiverem juntos.  Você encontra um equilíbrio. Seu medo e sua insegurança não serão apenas seus inimigos, pelo contrário, eles estarão guardados. Ela demonstra ser o que você julga que ela seja.
Acordará em um dia de domingo sentindo falta dela, o cheiro ainda no travesseiro. Lembrará dela saindo do seu portão e você tendo que ir dormir com o seu cachorro para não se sentir só, ou pelo menos tentar. Ela vai te acordar no meio da noite. Precisa dormir abraçada, com as mãos dadas e os pés entrelaçados. Quando você pergunta o porquê que você recebe tanto carinho, ela não vai ter uma resposta concreta, ela sente que você precisa de carinho, mesmo não conhecendo parte de sua história. Você irá sair do cinema e perceberá que a hora voou e quando está longe dela, a hora passa devagar. Você conseguirá superar seus anseios de não atrapalhar, ou não ligar. A verdade é que apenas houve uma falha na comunicação.
Quando se dá por si, sai do carro sozinho, sorrindo, olhando para o farol que cintila virando a esquina. Você agradece pela noite, pela pessoa existir, tão perto e tão perfeita. Suas cartas estão na mesa, por que não tentar? Já esperou demais. Se essa é a sua chance, com certeza, é um prêmio do destino. Só quero que entenda que um dia você também ouvirá: “Eu pensei em você ontem, passei o dia todo pensando em você hoje e amanhã acordarei pensando em você!”
A sua exceção não será a pessoa que falará para você se cuidar, e sim, aquela que se prontifica a cuidar de você. Acredite. Isso tudo existe.  

 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Para sempre lembrar, por que esperar?


Não agüento como o tempo se arrasta quando esperamos. Parece engatinhar sem sair do lugar. Esperando alguém para nos ajudar a seguir, acabar com nossas dificuldades. Não espere que eu corra atrás de sua atenção sempre. Se estiver com vontade de falar, fale. Eu posso não estar mais aqui quando você perceber que irá sentir falta do meu jeito. Não espere que eu conte o meu dia, se você me dá como respostas palavras monossilábicas e lacônicas. Elas não ajudam em nada e, com certeza, alimenta a sua incerteza ou desprezo. Fazendo engrandecer meu desapego.  Às vezes, esperar que tudo seja diferente é como gostar de acreditar em ilusões.  Tem horas que apenas essas irrealidades nos bastam. O irônico é que você tenta fazer diferente. Seu pseudo novo jeito nunca será o bastante para alguém. Já percebeu que quando está quente queremos morno? Quando está frio queremos quente? Somos sempre inconstantes e detentores de múltiplos significados em nossas vontades. Até mesmo nas mais simples, que como seu nome já próprio diz, deveria ser breve, calmo. Eu posso viver sem ligar para desejar boa noite. Só tento mostrar o quanto isso é bom. O quanto isso transmite segurança, conforto e ratificação do carinho da pessoa que estamos desejando o melhor. É pouco em vista dos regramentos estabelecidos pela paixão, mas é esse mesmo pouco, que não deixa a receita ficar maravilhosa, apenas boa quando há sua ausência. Não quero esperar por alguém que tenha medo da minha intensidade. Se eu quero ligar, eu vou ligar. Se me interessar, eu vou chamar para sair. Se eu ficar triste e quiser transformar essa pessoa em nada, eu também vou consegui. O grande problema de ser assim é que você não se preocupa com tempo. Aquele velho dar tempo ao tempo. Ao mesmo tempo em que pode ser amor, pode ser paixão, pode ser excitação, pode ser vontade que dá e passa. Saudade não prende ninguém. Alma egoísta e ociosa daquele que pensa que dando espaço, não ligando, não demonstrando, vai ganhar a pessoa. Concordo que isso tudo é a regra. Mas quem quer ser a regra? Todos queremos ser a exceção de alguém. Sem controvérsias e meios termos. Pode demorar. Enquanto isso aproveitamos as adversidades da vida. Aquilo que muitos chamam de “serendipity”. Descobrir algo bom naquilo que pensamos que não haveria mais saída. É um eterno mistério, assim como o esperar. Se sentir saudade alguma vez, você tem meu número. O nosso tempo somos nós mesmos que fazemos. Quem nunca tem um tempo para um café? Não espere que eu sempre entenda suas atitudes. Se você não explicar, eu não vou compreendê-las e há o risco de ter uma interpretação à minha maneira, com o calor do momento, com os mesmos medos de sombras escondidas. Se depois disso tudo, ainda restar alguma dúvida, pergunte, converse, se abra. O esperar machuca. Faz com que momentos que deveríamos passar se esvaneça bem em frente aos nossos olhos. E, certamente, não é uma lembrança boa de lembrar. Por que esperar em um trilho sem rumo se podemos pegar duas direções distintas que nos levam à qualquer lugar melhor ainda?




 

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Amor e suas drogas.


- Não acredito que encontrei-te novamente.
- Pois é, um ano se passou. – O sorriso dela abriu-se e eu pude ver o quanto o dia estava ensolarado e o quanto de esperança eu ainda guardava em meu coração por esse encontro.
- É real tudo isso? Não seria uma brincadeira do destino, uma pitada de sorte ou simples coincidência? Não, não seria. Como estou sendo idiota pensando em voz alta dessa maneira.
- Você nunca foi um idiota. Não me apaixonaria por um.
- Todos os homens são. Não mudamos. Apenas adaptamos aos momentos e como eles exigem nossa conduta. Somos atores. Não existem homens bons ou maus. Apenas homens que sabem ou não atuar. Não sei como agir agora. Você roubou-me meu roteiro.
- O engraçado é que você nunca fingiu para mim. Nunca precisou. Lembra aquele dia no ônibus? Eu sabia o qual ciumento você aparenta ser, o qual protetor tu és, o qual carente que tu finges não ser. Eu apenas agi da maneira como você me chama, de sua criança. Esqueceu-se que crianças possuem a maneira ingênua e pura de amar¿ Eu demonstrei e sei que com isso você pode sentir o que eu sentia quando estou ao seu lado. Segurança.
- Você fala como se eu fosse um herói. Como se eu fosse a última pessoa do mundo que te olha e se encanta. Eu tive medo. Olhando bem, eu sempre tenho medo. Perco oportunidades e caminhos que eu podia conquistar por acreditar nesse sentimento. Medo de te influenciar, medo de não saber o que poderia acontecer, medo de mostrar que todas as pessoas podem viver o que vivemos.
- Infelizmente eu vejo que não é assim que acontece. Ao meu redor vejo pessoas que só pensam em dinheiro. Minha família me trata como se eu fosse uma criança ainda. Como eu ia te procurar? Naquele nosso último dia, quem teve medo fui eu.
- Não me lembre disso. Não consegui dormir naquele dia e em outros muitos depois que passaram. Ficava na cama tentando fazer disso tudo verdade. Fazendo pensar que eu não estou agora conversando com a minha imaginação ou qualquer outro nome que pessoas atribuem a loucura. Só sei que você é minha.
- Para entender nosso amor, o mundo deveria virar de cabeça para baixo.
- Concordo. Poucas pessoas mudam seu mundo. Talvez elas não conseguiram achar um incentivo. Mudança pensada como um conceito não é sinal de revolução. Apenas mudamos quando queremos algo melhor e botamos em prática. Na estrada, às vezes, podemos esquecer nossos objetivos, mas nunca esquecemos quem nos motivou a mudar. Você me mudou.
- Como? Nem ao menos te toquei. Quer dizer, um toque apenas, nada mais.
- Toques físicos são carnais. Toques sentimentais são sentimos mais na alma. Você me mostrou a única pessoa que estava realmente perdida. Eu mesmo. No mundo conhecemos milhares de pessoas. Algumas nem ao menos nos tocam. Então, você conhece alguém e essa pessoa faz sua vida mudar, para sempre.
- Amor e outras drogas. Lindo este filme. Sempre quando perco o sentido de gostar de alguém, eu o vejo. Mas temos que concordar que o amor é realmente uma droga. Esse bolo confeitado sem receita. Essa mágica sem feitiço. O frio na barriga. A saudade ácida. O sofrimento tácito. A benevolência revigorada. Não é encontrado em líquido, em pílula e muito menos nas prateleiras das farmácias para escolhermos a melhor marca, a dose correta ou o mais simples, o nome correto do fármaco.
- Eu não sei se o amor é uma droga ou uma cura. Só sei que eu só queria uma dose de você. Se puder, no conta gotas. Assim consumo aos poucos e moderadamente. Bem como as pessoas pensam que o amor é. Diluído, correto, regrado e, simplesmente, insubstituível.         


sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Sentado no Divã: Retrospectiva e Análise.


“E se tive problemas algum dia, não foi por falta de felicidade”.

Clóvis, já é dezembro e passou um ano que passei a ter meu blog. Pela milésima vez eu assisti “Divã” hoje e não tinha forças e nem coragem para voltar a escrever como eu escrevia, porém senti uma vontade imensa de falar sobre mudanças. Sobre as minhas mudanças. Eu sei que a vida muda, a mina pode estourar antes da hora ou não e o mapa do destino nunca pode ser traçado esmeradamente. Eu fui aprendendo a andar pelo rio por onde a vida passa. Eu me sentia um ninguém e, hoje, descubro uma pessoa dentro de mim. Várias por sinal. Com muitas facetas, com apenas um caráter, se é que isso é possível. Costumo brincar que sou uma hipérbole quando brinco de criança, metonímia quando começo a contar a minha vida, um paradoxo quando desejo exprimir meus sentimentos e vontades. Não sou a soma de minhas partes, elas se contradizem a cada respiração ou segundos passados no relógio. Quando eu comecei o “Comer, Rezar, Amar” sob o meu ponto de vista eu não esperava mudanças. Era apenas um livro. Um livro conseguiu abrir as portas da minha mente para a leitura, para os filmes, para o saber perdido entre as eras. Eu só sabia ler, chorar, comer incontinentemente bobeiras. Lutava com os meus medos, com o meu passado, com o meu hoje perdido e com o meu futuro a beira de um abismo. Eu me perdi de mim. Olhava no espelho e ele não me dava a imagem daquele Arthur que um dia eu fui. Hoje eu sou um Arthur que nunca me imaginei sei. Eu tive que construir o meu “eu” basilar. O meu alicerce. O que eu queria ser, o que eu não queria ser, se a minha vida será sempre guiada pelas pessoas ou me perderia na liberdade, queria comer boas comidas e encontrar o prazer de comer bem e saudável, ter um reencontro com uma pessoa que briguei sem motivos e que hoje Ele é meu melhor amigo e, principalmente, encontrar o primeiro amor de minha vida e não mais um caso, mais uma cama ou uma simples decepção. Dizem que o primeiro passo é o mais difícil. Posso afirmar que o segundo é mais ainda, porque para isso você precisa ter suas vontades e emoções mais arraigadas em você mesmo, sentimentos profundamente fixos na natureza do seu ser. A cada dia eu lia um capítulo de um livro e desejava contar um capítulo da minha vida. Não que eu seja um exemplo a seguir ou me sinta extremamente prepotente dizendo que a minha vida seja divertida, chata, quente ou fria. Eu queria mostrar histórias, ora reais, ora sendo pitadas com imaginação, que já me aconteceram e, de alguma forma, transmitir o enredo, o começo, o fim ou a moral de cada uma delas às pessoas. Não sou bobo de acreditar que fiz algo grandioso, mas sei que alguma parte do planeta a história se repete. A história é cíclica e já é ratificada estudiosamente por Maquiavel. Eu pensava que viajar resolveria meus problemas. Então arrumei minhas malas e fui para Angra. Só tenho boas recordações. É bom ficar lembrando os crepúsculos que presenciei na praia, de Campos do Jordão, de como eu me perdoei por ser desse jeito e pensar dessa maneira, em como eu me encorajei a mudar quando vi meu coração bater mais forte por alguém que conheci lá e nunca mais vi. Eu pensava que viveria tudo sozinho. Dei-me conta que ao meu redor tinha mais gente que eu esperava. Quando penso em humildade eu me lembro da menininha que veio ao meu encontro, arrepia-me só de pensar, quando eu estava na praia e me olhou e disse algo tão lindo que não consegui guardar e voltou a catar suas latinhas. Eu a reencontrei novamente um dia na praia e só lembro-me de uma resposta dela quando perguntei  onde estava o pai dela: “Ele está lá em cima, tio! Depois eu vou encontrar com ele para tomar Coca-Cola“. Na hora eu não me dei conta. Eu procurei por alguém e não achei. Segui o seu dedo apontado para a praia e me dei conta. Ela apontava para o horizonte, para um céu azul e límpido. Hoje eu sei o que isso significa e choro ao saber quem é o Pai dela. Somos todos filhos dele e, às vezes, nos esquecemos de agir como filhos genuínos. Naquele dia uma chama dentro de mim ascendeu-se e descobri que esse fogo se chama Fé. Arde e não vejo. Sinto, mas não posso distribuí-la a mais ninguém no meio físico. Com o amor de Angra eu tentei mostrar para mim mesmo que eu poderia ser um exemplo de pessoa para ter uma relação amorosa. Mas quem sabe realmente como amar corretamente? Então decidi me amar primeiro. Voltei a correr. Endorfinas sendo liberadas a todo vapor. Eu não ligava de estar acima do peso. A felicidade não é medida em percentuais de gorduras e muito menos a quilo.  Lembro que com dor no coração eu voltei para passar o Natal em Volta Redonda. Dor não por voltar, dor por ser tão pequeno e frágil quando o destino e nossas escolhas caem sobre nós. Eu estava muito ansioso para o Cruzeiro. Afinal, era Buenos Aires! A cidade que mais queria conhecer na minha adolescência. E realmente, ela me deu tudo que podia dar em dois dias. É como o último pedaço de chocolate, ele te atiça a comer mais. Com essa viagem foi a mesma coisa. Chega a ser mágico e alucinógeno quando me lembro de como a Lua refletida no mar pode ser vista com aquela música “A Lenda” à voz de Roupa Nova ao fundo. É estranho pensar no homem no último deckexperimentei. Eu descobri o que era pagar caro e compensador olhando para a rua e pensando na vida. Anotei em algum lugar que voltaria lá quando estivesse namorando. Quero amar naquela cidade que tudo cheira a desejo. Quando aportei novamente na vida real, fui passar uns dias na Ilha Grande. Eu só sabia nadar e pensar. Não fazia mais nada. Eu ainda não sabia o que queria e sentia medo. Muito medo. Medo até da minha sombra. Parece que tudo que sempre joguei para debaixo do tapete foi, de uma hora para outra, descoberto e eu estava sendo interrogado minuciosamente sobre todos os fatos, falhas e vontades. Sonhamos tantas coisas quando somos adolescentes. Ninguém nunca me falou que exigiriam tanto de mim quando eu me tornasse um aspirante a adulto. Que eu teria que escolher o que seria da minha vida e que isso poderia me levar ou a minha ruína total ou ao meu sucesso. Eu escolhi não escolher. Não agüentava mais a pressão, pessoas falando o que fazer e o que você nunca chegará a ter. Sempre levei em conta o refrão que nunca deixe que lhe digam que não vale à pena acreditar nos sonhos que se tem ou que os seus planos nunca vão dar certos ou que você nunca vai ser alguém. Comecei a estudar italiano, viajava sem sair do lugar 3 horas da minha semana. Dediquei-me ao Inglês. Tentei fazer alguns cursos que não deram muito certo. Acordei pensando em Justiça e fui prestar vestibular para Direito. Passei. Comecei o caminhar do meu futuro. Encontrei-me novamente. Já faz parte de mim a Justiça com o seu dar a cada um aquilo que é seu, sendo assegurada com certa segurança, protegida sob a forma de leis dentro de um ordenamento jurídico garantido por um Estado que asseguram direitos e lhe dá deveres. Eu estou fazendo o que gosto e não deixo ninguém interferir nisso. Tornei-me mais egoísta quanto a isso. Tive medo de perder meus amigos. Tive medo de perder tempo para o tempo. Toda hora é uma hora a menos de estudo. Tentava não ser tão excluído do mundo, focado apenas em meu objetivo. Respirei e já acabou o primeiro período. Durante esse período, eu fui tirar minha carteira de motorista. Foi um dos momentos mais alegres que já passei na minha vida. Encontrar pessoas que gostam da vida é como encontrar dinheiro na rua. Minha instrutora prática foi umas das únicas pessoas que já confiaram em mim e hoje eu a tenho como uma mãe. Nossas aulas eram sempre na parte da tarde. Não conseguia parar de rir, de falar sobre a vida, de dividir momentos, de quebrar paradigmas, de mostrar que nem todo mundo é igual a todo mundo. Chorava por dentro quando ouvia palavras que nunca ouvi de meus próprios genitores. Se hoje eu só dirijo falando ou cantando é por culpa e mérito dessa pessoa maravilhosa que conheci. É disso que eu sinto falta e quando acontece eu faço questão de guardar em mim, as surpresas da vida. O que ela guarda no fundo da xícara e cabe a nós o arbítrio de mexer a colher e misturar o doce ou deixar do mesmo jeito que está e ficarmos parado. Quando tudo estava para acabar esse ano, eu me via pensando em Deus. Lembrava da vez que chorei no Santíssimo, das coisas que pedi a Ele todas as noites, dos perdões que o rogava por ser dessa maneira e sempre querer mais e mais. Eu me vi tendo Fé e sentindo-a. Na última missa eu só tinha o que agradecer. Ao meu lado eu sinto que tem alguém. Sinto que tem uma pessoa que pode me dar o mundo em minhas mãos como um desejo infantil. Ele sempre fez o que foi importante para mim. Um pai. Antes de tudo, um Amigo. Como gratificação eu fiz amigos esse ano. Pessoas que pretendo levar para a vida inteira se deixar. Fiz muitos inimigos, me tornei fútil para alguns, perdi contato com outros, exclui pessoas que querem tomar conta da minha vida, refiz amizades, amenizei a distancia que me separava de alguns, tenho mais amor a minha família, tento perdoar quem já me fez sofrer, sinto pena do que lembro e de algumas pessoas, e continuo sonhando com a minha filha. Foi um ano bom. Eu comi, eu rezei e não amei. Ainda não estou preparado para isso. Prefiro ficar solteiro, me cuidar, me entender e deixar que o tempo capriche e faça seu trabalho. Eu sei que eu não sou uma frigideira sem a sua tampa e nem quero muito menos ser a outra metade da laranja de alguém, porque ninguém sonha em ser uma laranja completa por agregação de duas partes distintas e sim por união completa de um ser sendo o mesmo que o outro. Eu continuo esperando. Mas dessa vez eu espero sozinho. Aprendendo como deve ser e não treinando sempre para ver o resultado. Chega de cobaias. Não tenho pressa. Única coisa que teve pressa esse ano foi ele mesmo. Mas a cada dia eu senti mudanças. Cada dia era uma análise, série na academia, humor diferentes. De adolescente para adulto, mas nunca deixando de viver e recordar as épocas que já se foram e fixando raízes para um futuro bom. Boa Noite, Clóvis! Espero-te na ceia de Natal! 


                  

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Acordei com saudade ...


Entre viver e recordar, eu acordei com saudade. Acordei com saudade da época que eu não sabia que a vida era difícil e que se ela não fosse difícil, não seria vida, seria sonho, aquilo que não faz sentido. Saudade da época eu não tinha que ler tanto, falar tanto, fingir tanto. Às vezes, me torno um jogo de aparências e boas maneiras que não reconheço minha sombra. Acordei pensando na época que tentar descobrir um novo gostar não era visto como uma tarefa árdua. O gostar era simples e não um jogo de compra e venda pessoal. Lembro dos dias de praia matinal ensolarado, dos dias de natação na chuva, dos desenhos animados na televisão. Aquilo tinha um nome e eu nem sabia. “Dolce far niente”. Volto para aquele ônibus de viagem que me levava a terras de meus antepassados maternos. Meu querido Paraná. Terra de meu sobrenome e gente bonita. Acordei com saudade de ter tudo e não ter nada. De pensar que tudo é de graça e graciosamente oferecido a todos. Acordei com saudade de não saber que a vida só pode ser bela quando você souber vivê-la. Que tem horas que a vida te dá muitas pessoas e você só têm que escolher por quem chorar. Você precisa encontrar o valor axiológico de cada ser dentro de você mesmo. Acordar com saudade é uma fuga de realidade que só é cortado e suprimido por esses raios de sol e pingos de chuva de Novembro que refletem em meus olhos. Se recordar é viver, hoje eu vivi quase 100 anos de uma vida que eu vivi ou sonhei viver, pelos avessos.