quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Acordei com saudade ...


Entre viver e recordar, eu acordei com saudade. Acordei com saudade da época que eu não sabia que a vida era difícil e que se ela não fosse difícil, não seria vida, seria sonho, aquilo que não faz sentido. Saudade da época eu não tinha que ler tanto, falar tanto, fingir tanto. Às vezes, me torno um jogo de aparências e boas maneiras que não reconheço minha sombra. Acordei pensando na época que tentar descobrir um novo gostar não era visto como uma tarefa árdua. O gostar era simples e não um jogo de compra e venda pessoal. Lembro dos dias de praia matinal ensolarado, dos dias de natação na chuva, dos desenhos animados na televisão. Aquilo tinha um nome e eu nem sabia. “Dolce far niente”. Volto para aquele ônibus de viagem que me levava a terras de meus antepassados maternos. Meu querido Paraná. Terra de meu sobrenome e gente bonita. Acordei com saudade de ter tudo e não ter nada. De pensar que tudo é de graça e graciosamente oferecido a todos. Acordei com saudade de não saber que a vida só pode ser bela quando você souber vivê-la. Que tem horas que a vida te dá muitas pessoas e você só têm que escolher por quem chorar. Você precisa encontrar o valor axiológico de cada ser dentro de você mesmo. Acordar com saudade é uma fuga de realidade que só é cortado e suprimido por esses raios de sol e pingos de chuva de Novembro que refletem em meus olhos. Se recordar é viver, hoje eu vivi quase 100 anos de uma vida que eu vivi ou sonhei viver, pelos avessos.  


sábado, 22 de outubro de 2011

Paradoxo


Fico olhando pela janela do ônibus e sorrio. É espontâneo como mudar de canal da t.v, é livre como saber voar. Tem momentos que eu me pego pensando em comodismo, em outras horas, penso em adrenalina. Eu sou um paradoxo e, ás vezes, uma hipérbole. Ao mesmo tempo em que quero algo certo, no momento certo, quero fuga, agito, beijos e calor. Nunca vou saber o que eu quero. Penso no passado e sei do que queria ontem. O que eu mais queria era algo para chamar de meu. Meu, sim, com todas as garantias e providências tomadas para ser somente meu. Eu sou egoísta como as estrelas que só aparecem à noite. Eu teria a chance de voltar e pedir de volta aquilo que deixei passar? E se eu voltar, me estabilizar, conviver e na primeira oportunidade eu fugir e for de encontro ao acaso, a surpresa e a aventura? Ao mesmo tempo em que isso passa de um desejo, torna-se uma dúvida. Não quero mais pensar que não nasci para o amor ou que a cada passo que eu dou ele dá dois para trás. Correr para que? Se é que isso importa. Quem muito corre, cansa, fica com sede e desiste. As aventuras são boas, eu concordo. É legal poder fugir de madrugada, é prazeroso encontrar alguém e tentar conhecê-lo a finco, é divertido rir de coisas que passaram com outras pessoas e que ela quis compartilhar com você. Porém toda caixa de bombom, tem seu bombom final, seja ele o pior ou o melhor. Toda panela tem sua tampa. Por que não podemos ser uma frigideira em certas horas da vida? Estou vendo que tudo na vida tem dois lados e que realmente pensamos em tudo com duas maneiras diferentes. Uma idéia sempre substituirá ou questionará outra idéia antiga. Sua cabeça é um eterno amuleto com uma parte branca e a outra preta. Espero que o acaso realmente me proteja enquanto eu andar distraído. E, Destino, se não for incomodar muito, vista seu lindo vestido de festa, o mais escandaloso e brilhante que tiver para alertar-me quando você estiver no comando. Enquanto isso, continuo rindo e suspirando, botando na balança o que eu perco e o que eu ganho com isso tudo. Uma eterna balança de pensamentos.
 
      

domingo, 16 de outubro de 2011

Com o tempo


Com o tempo eu aprendi que a vida é curta e o momento é breve. O beijo dado ou negado de hoje, será esquecido ou eternizado amanhã, dependendo apenas de sua intensidade. O sorriso em seu rosto pode valer mais do que a cara fechada. Que há palavras que valem por mil palavras, que outras nunca deveriam ter saído de minha boca. Descobri que sempre quis ser criança, nunca deixando eu agir assim. Achava que no mundo lá fora existia compaixão, sinceridade, empatia e amor. Existe. Porém não todo dia e nem em todo jardim. Descobri que nem toda paixão é para namorar. Nem toda cama é para se amar. Com o tempo você esquece que a sexta badalada e com bebidas se perde em meio aos livros e reuniões de família. Você faz a sua própria balada. Vinho, pizza e companhias dos amigos é o melhor momento do seu sábado. Você não deseja sair para vender seu peixe à alguém. Com o tempo, sair para conhecer alguém novo torna-se cansativo. Você começa a exigir a “diferença”. Pizza e rodízio, todos nós temos, o que difere é a qualidade e o lugar onde se come. Com pretendentes ao nosso coração, podemos fazer essa mesma analogia. Ser solteiro torna-se uma opção sem escolha. É legal quando você sai sem dar satisfação, você faz o que bem entende sem dor na consciência, não ter ninguém te vigiando para contar tudo para a sua companheira depois. Entretanto, quando chega o anoitecer e a hora de dormir se aproxima, você se pega perguntando: “Para quem eu poderia ligar desejando boa noite e falar um Eu te amo mais que ontem?”. Não tem ninguém para aquecer sua cama, ninguém para tirar seu sono. Com o tempo eu aprendi que avós são anjos de Deus. Não importa o que você faça, sempre se lembrará deles. Não importa onde estiver, o amor deles te alcança e te conforta. Com o tempo eu aprendi que mesmo não enxergando naquela hora, terá sempre algo melhor por vir do que qualquer pessoa, atitude, passado que deixamos para trás. Aprendi que amigos deixam de fazer coisas pelos amigos. Não significa que estão mudando sua personalidade, significa que eles te amam o suficiente para ceder à suas vontades. Serão eles que estarão ao seu lado quando você tiver algum segredo, fofoca, barraco, novas conquistas para contar. Aprendi que eu aprendi muito e que vou continuar aprendendo. Desejando sempre mais aprender o que me espera, o que passou e o que está acontecendo.
 
    

domingo, 9 de outubro de 2011

- Geração ausente


Tem horas que eu só queria escrever sobre família. Não qualquer família, mas a minha família. Ás vezes desejaria que fosse perfeita. Seria bom um dia acordar com a mesa posta para o café, um lindo dia abrangendo toda sala, o cheiro de café saindo do bule, um pai engravatado lendo o jornal, uma mãe com roupa de ginástica para a sua velha rotina na academia depois de levar minhas irmãs para escola, um bom dia para dar à todos, uma cena normal de filmes. Não desejaria que fosse sempre assim, apenas quis apenas uma vez isso. Uma realidade minha e de muitos. Ela dói e não pode ao mesmo tempo ser explicada. Quando é, seria impossível conter as lágrimas. Sempre foi muito difícil não poder contar com esse apoio. Vejo alguns que renegam isso, ora por vontade, ora por falta de paciência. Desejaria ao menos ter essa escolha. Ouvi certa vez que ninguém tem um fardo tão grande ao qual não consiga carregar. Esqueci de perguntar se o peso não poderia ser dividido com alguém, uma mãe ou um pai. Não falo de ausência física. Falo de ausência emocional filial. Dizem que histórias assim são difíceis de serem contadas para alguém que não compartilha com a mesma. Porém vejo tantas pessoas na mesma situação. O que muda? São os níveis ou a contagem dos capítulos do início ao fim. O livro continua sendo o mesmo. A história se repete mesmo você tendo o arbítrio de imaginar como seria o seu acordar do dia no exemplo citado acima. A falta é apenas um pedaço do vidro quebrado pela ausência. Eu só queria um pouco entender os pais, participar da vida deles. Hodiernamente isso seria impossível. Os caminhos já foram seguidos por ambos e o que me resta é continuar caminhando. No final das contas, a família perfeita é sempre aquela que você imagina sendo o protagonista. Você deseja fazer tudo diferente para com seus filhos. Se é ruim dar tudo de melhor à uma pessoa que é “sua” eu não sei, mas quero que ela sinta o que é cuidado, carinho, proteção e principalmente, livre arbítrio. Privações só funcionam em economia. Se um dia eu pudesse deixar algum conselho seria: Não deixe de amar os ausentes, seja eles quem for. Talvez eles ainda nem se encontraram neles mesmos.  


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Domingo com um amor sem escalas.


- Casa comigo?
- O que? Casar? “Me and you, Just us two”?
- Sim, Arthur. Promete que um dia vamos ficar juntos? Não sei, nos conhecemos há tanto tempo, uns 2 anos, não é mesmo?
- Não brinque comigo. Você sabe como eu sou, meus ideais de valores e minha personalidade. Eu gosto tanto de você. É uma pena podermos apenas nos encontrar de ano em ano.
- Eu não conseguia olhar em seus olhos, você lembra? Fizemos amor antes para depois podermos conversar minúcias. Eu tenho medo.
- Medo de que? Eu não sou sínico e chato como você mesma disse? Não precisamos ter medo de pessoas assim, apenas controle.
- Tenho medo de gostar de você. Moramos em regiões distantes, sou mais velha, você é bonito e desperta ciúme em mim. O que eu devo fazer? Feche os olhos para eu não poder olhar para eles, agora.
- Eu gosto de você. Você sempre soube disso. Com você é diferente. Ao mesmo tempo que você me deixa louco e atiça meus instintos, você me faz duvidar até do que eu estava pensando no último instante.
- O que você quer dizer com isso? Pode falar, amorzinho. Fala.
- Sabe um ponto de interrogação? Eu olho para você e não consigo te decifrar. Eu sou acostumado com pessoas previsíveis, tenho que lidar com aquilo que as pessoas estão pensando em fazer e já fizeram, é o meu trabalho. Eu não sei nada sobre você. Não me olhe assim. Quem é você? Quem é você fora do meu alcance?
- Bem, Arthur. Eu não tenho o que mentir para você. (...)

- Então, satisfeito com o que ouviu? Você conheceu quem está aqui com você só que com uma vida totalmente diferente. Se você quiser ficar só na amizade, eu vou entender, mas não quero te perder.
- Quem disse que eu quero te largar?
- Não quer?
- Não quero. Eu já sabia de certas coisas. Eu já sabia do seu casamento. Desde que eu me entendo por gente aliança no dedo esquerdo é aliança de casamento. Eu queria saber quem era você aqui, no seu coração. Obrigado.
- Prometa que um dia você vai lá na minha cidade me ver? Você pode juntar dinheiro, não gasta com nada, e no final do ano eu posso te esperar.
- Esse era um dos meus maiores medos. A hora de dizer adeus. É a terceira vez e ainda não me acostumei. Não faz essa cara se não eu vou chorar igual da última vez, amor. Eu prometo que irei te ver. Você me tem lembra? Você não está sozinha mais. O mesmo itinerário de despedidas, os mesmos choros, os mesmos abraços igual da última vez. Até quando eu vou te esperar? Viver sem seu carinho dói. É como se fosse uma droga que eu poderia ter todos os dias se os tempos fossem outros e deliciar-me a todo o momento com a sensação que ela poderia trazer-me. Eu vou te esperar. Não me canso de falar isso olhando nos seus olhos. Eu te amo. Mesmo com inúmeras características que você me agrada, motivos para gostar de você, eu sei que algum dia vai ter algum lugar bonito para podermos viver em paz, além do horizonte ou não, só espero que saiba que eu sou seu. Em casa vou me levantar-me pela manhã, tomar o café que eu mesmo preparei e humildemente vou me lembrar da vida e das mulheres que amei. E você será a mais especial delas. Não me abandone, jamais.

" I promisse to sing to you when all the music dies." (Marry me - Train)

 

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Eixo e silêncio.


Perdido em meus dias, eu estava. Precisava de algo para ter-me de novo. Foi assim como ver o mar. Você botou-me no eixo novamente. Entretanto por destino ou atitudes feitas estou aqui sobre luz baixa e barulhos da noite ao meu redor digerindo aquilo que não recebi, um grito de chamada de volta. Sinto horror à tamanha atitude minha. Como não demonstrei em atitudes aquilo que em palavras escritas ou faladas poderia esclarecer tudo o que eu pensava? Pensar era algo que eu não estava fazendo. Não queria ser racional. Queria que fosse diferente dessa vez, em tempos, essa atitude não vista em mim. Conhecer o arroz e feijão, antes de provar da Carne. Saber se prefere campo a mar, antes de se apaixonar. Antes era tudo muito rápido, desacelerei para ver se resolvia, a velocidade mínima foi excedida. É como se nada tivesse acontecido, ao contrario, as imagens de dois jovens no sofá que acabara de se conhecer, conversando, rindo e, por vezes, se beijando não sai de minha cabeça. Loucura ou não, um veneno doce para amedrontar minha noite. Não me tornarei aquilo que sempre julguei atitudes erradas e extremamente invasivas. Simplesmente falo o que penso e deixo ir. Frieza, ou não, é a maneira que encontrei para que o silêncio não me torture. Às vezes, o silêncio machuca mais que aquelas palavras ditas. Eu não sei se é por causa de entendermos o que ele significa ou se não queremos acreditar nele. Quanto uma quanto a outra, machuca. Li que há pessoas na vida que sabem exatamente a hora de ir, como folhas que caem no outono porque simplesmente está na hora de deixar o que a sustenta e decorar o mais doce chão do final de tarde de um parque. Tudo está diferente, tudo está a mesma coisa ao meu redor. Será entorpecente? Sinto aquela calma de uma tarde após o almoço deitado na varanda, sabendo que sem expectativas não há decepções. Algo me encoraja, pelo menos. Fui corajoso o suficiente para promover toda a mudança de meu dia e receber em troca felicidade, tive a honra de acreditar em dias melhores mesmo que isso venha a calhar no dia posterior e, principalmente, acreditei que o romantismo ainda existe e que ele não pode ser deixado de lado. O coração vem antes do corpo, do carinho e do reconhecimento de quem realmente está ao seu lado. Pensar já me cansou demais, prefiro ainda, ficar nessa cegueira branca que me conforta e faz meu mundo ser menos complicado enquanto não encontramos aquela loucura irracional da paixão novamente. Passou, se não, vai passar. Amanhã é o dia de esquecer. Hoje ainda posso recordar.

              

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Uma carta para quem me amou.


Sabe, deu saudade hoje. Não sei o porquê, só sei que senti sem saber. Cheguei da faculdade, jantei, e fui ver a minha vida virtual. Você saiu a tempo dela, porém esqueceu-se de cortar as raízes. Estranho e ao mesmo perfeito. Estranho porque se fosse eu em seu lugar, já teria me bloqueado de tudo, aliás, você nem atendeu a minha última ligação. Perfeito porque pude relembrar um dos momentos mais perfeitos de meu ano pregresso. Poder ver seu sorriso, poder recordar de sua voz, ver o seu jeito feliz e ao mesmo tempo engraçado que me ora contagiava-me ora irritava-me com tamanha imaturidade. Eu não respeitei a sua síndrome do Peter Pan, não é mesmo? Exigi demais, obriguei demais, quis demais. Não fui uma “Leila” da vida, porém fui totalmente totalitário e recriminador. Vai entender o que é gostar. Me pego rememorando o tempo que eu subia aquelas escadas infindáveis onde você estava passando férias, sua admiração quando me via, o desejo de estar a dois. Foi tudo muito diferente para mim. Era a primeira vez que eu vi o que é uma pessoa gostando de outra. Ou melhor, o que era o sentimento que eu tanto valorizo sendo usado por alguém ao meu benefício. Você foi a melhor representação do gostar que eu pude ter em troca, o desejo que eu pedia quando o relógio badalava meia noite, eu só quero um novo amor. A sua maneira de ver tudo simples, não gostar de tentar complicar a  vida, achar que tudo poderia fazer e nada mudar o que você desejar ser intrigava-me totalmente, fugia do meu campo de raciocinar se aquilo podia mesmo existir ou era mero mimo de berço materno. Com uma visão de mundo maior hoje, eu vejo que a vida é complicada sim, temos problemas piores do que dirimimos ontem e se não fizermos nada para apaziguar essa treva que é viver morreremos vivendo a cada dia rumo à escuridão. Eu não quis ouvir toda a sua história, eu não saber de seus relacionamentos anteriores, eu não deixei você se expressar. Achava que se eu encontrei alguém em que o sexo é bom e me ama loucamente, para que saber mais dessa pessoa? Para gostar loucamente dela e depois sofrer pensando naquilo? Eu me tornei distante e você tentando ser presente. É sempre um jogo de Tom e Jerry? Nunca saberei ao certo o que você queria dizer quando eu não atendi suas ligações, não saberia explicar o que você viu naquele Arthur gélido e muito menos se o remorso seria um bom remédio para tapar o que você deixou em mim. Você é maravilhosa, porém perfeita de mais para me ter.  Quando eu consegui explicar essa dualidade entre perfeição e desejo, prometo que te encontrarei novamente. Seja onde estiver, Nutri. Você foi muito importante para mim, sem saber.