domingo, 6 de março de 2011

Carnaval: Um mundo que não me pertence.


Mais uma vez, mais uma madrugada. Estou sentado em frente a minha escrivaninha, olhando a chuva cair, pingos pequenos e bastante molhados. É Carnaval, chora meu cavaco furado. Enquanto as pessoas estão se divertindo, na folia, beijando na boca, trepando com a primeira pessoa bonita que aparecer na frente, eu estou aqui ao lado dos meus livros. Eu já viajei muito, mas ficar em casa pensando que eu poderia estar em outro lugar, fazendo outras coisas, me deixa em um estado totalmente inlúcido e ansioso. Ontem eu comecei meu primeiro dia no curso de italiano. Uma breve introdução: dialectos de cada cidade, como se comportar, o que dizer e o que não fazer quando se está em território italiano. Achei tremendamente difícil a estrutura gramatical, o inglês é milhões de anos luz mais fácil se for comparar. O Italiano mesmo com todas essas peculariedades faz dele um idioma que tem que ser falado cantando, com gestos, com felicidade e comida. No Brasil temos um acervo muito pequeno de gramáticas em italianos e até dicionários, tive muita dificuldade em encontrar algum deles, alguns só comprarei quando for a Roma. No curso de hotelaria de hoje, aprendemos a diferenciar os diversos tipos de meios de hospedagem, coisas pequenas e às vezes até invisível em um primeiro momento de se diferenciar. Aula produtiva. Tivemos grandes elogios e até um comentário bem amável de nossa companheira psicóloga, elogiando-nos pelo nosso grupo unido, com muita informação e interação. Finalmente as estrelas estão começando a dispersar seu auto-brilho. Cada dia mais eu fico mais amigo de minha professora de italiano, Juliana. Pessoa espetacular, com muita bagagem em sua mala tanto de vivências como de trabalho, casada e mãe de dois filhos, dois bambino. Afinidade é uma questão que não se discute, ou “bate ou não bate”. Tivemos o nosso momento “coffe-break” e conversamos mais sobre o povo italiano e algumas pronuncias de palavras que eu tentava treinar. Para terminar, tive minha reposição de HTML (estou fazendo um curso de web design também). Ou seja, a vida de adulto finalmente começou, e sem tempo para nada: “no time, no love, no out of the focus”. È bem difícil seguir esse lema, mas sei que o meu futuro depende dessa minha base de hoje, eu tenho que construí-la e sei que não estou sozinho nessa. O Carnaval não irá me pertencer nesse grande feriado que está por vir. Não sei se fico triste ou alegre. Conseqüências. Durmo coberto de frio, abraçado com a solidão, observado pela a angústia. 

sábado, 5 de março de 2011

A fazenda, a minha fazenda.


Na minha fazenda eu vivo tranqüilo. No quintal ouço pássaros gorjeando ou cantando verdadeiras melodias que tanto agradam aos meus tampões auditivos, o vento balança as flores que um dia fora plantadas nessa terra onde possuem palmeiras e sabiás. Eu não vejo concreto, asfalto ou ilhas de calor.Eu vejo lama, frente fria, e uma chaleira com água fervendo destinado ao café da tarde. Não digo que é perfeito, pois estragaria o adjetivo inalcançável que minha mente procurou achar. A chuva cai em meu colchão, molha a tela do computador, meu cachorro pede carinho. Paciência, calmaria, bolo no forno. A lama lá fora mostra como a madrugada foi proveitosa, com seu céu cor de laranja ao horizonte distante pode produzir o orvalho pela manhã, entrando em cada raiz das plantas, renovando-as e fazendo-as sentirem melhor. O meu colchão não me deixa dormir, ele não entende porque meus olhos precisam estar fechados enquanto o mundo lá fora é vivido. A televisão não é ligada o dia inteiro, temos diálogo. A mesa de baralho ou de sínica são os nossos “happy hours” englobados por um radinho tocando “o som do barzinho” e suas raríssimas melodias que possuíam letra. Meu Coração de papel eu entreguei a uma Dona, como Castigo eu tive que dizer Como é grande é o meu amor por você Quando eu olhei aquela Espanhola de relance naquela Tarde em Itapuã. A palavra nada é a minha preferida hoje. Não quero fazer nada, não quero pensar em nada e não pretendo sair daqui para nada. Eu tenho tudo, a terra me garante isso. Na capela moderna modelo antiga, eu encontro a minha paz. Eu não sei o que falar, apenas digo o que vêem em minha cabeça, se não quero que as outras pessoas escutem eu rezo em Inglês. Ao luar, com estrelas a iluminar, eu conto a minha vida a alguém que não sei o nome. Reflito o meu passado, cortejo meu presente e traço meu futuro. Desejando acreditar que tudo que saia de minha boca fosse verdade. Na minha fazenda só não tem o meu amor, seria pedir demais. Sinto que você é ligado a mim, e sempre que estou indo volto atrás. Para que ser triste? Eu fico com as resposta das crianças: a vida é linda, é bonita e é bonita. Se todos pudessem viver cada dia em uma fazenda, desejariam viver mais, ganhariam o Oscar de suas vida.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Primeiro dia de aula, um céu sem estrelas.


Hoje comecei meu curso de Hotelaria. Como haviam me avisado, o curso é bastante defasado e muito simplificado, aquele curso para você saber o básico – mas o básico nessa área, e duas línguas estrangeiras fazem toda a diferença. O primeiro dia de aula, o primeiro dia de trabalho, o primeiro dia em um local diferente do que o seu de costume, costuma ser meio difícil de lidar. Chego cedo para tentar tirar a minha fama de “o atrasado”. Professora, pessoas que eu nunca tinha visto antes. Para minha surpresa, quando abri a porta, minha professora de italiano estava sentada na primeira carteira, quase não acreditei, pensei que era miragem de uma Ju. Algumas pessoas estavam ali, não por necessidade, mas por prazer ou interesse, pois ganhara o curso de brinde ao ingressar em outro. É o que eu digo, todos nós viajamos, todos gostamos de viajar, mas para quem é interessado no assunto, fica o gostinho de querer saber sobre uma coisa ou outra de Turismo ou Hotelaria. Dinâmica da oportunidade, problema em grupo da Naza. Foi a partir dessa resolução de problemas que consegui ver o perfil de algumas pessoas que me cercavam: uma psicóloga que trabalha com dependentes químicos (nem preciso mencionar que meus olhos brilharam), uma menina que era técnica em química e uma outra de apenas 14 anos, eu e Ju. Tive que lidar com um comportamento meu que se manifesta sempre quando estou em trabalho de grupo: ser mandão, querer persuadir as pessoas para que escolham a minha opinião, querer saber de tudo. Para pessoas que não possuem isso e que são extremamente sociáveis não entendem o quão difícil é abrir o jogo e saber que as pessoas possuem opiniões opostas, ou que podem até contribuir com a sua, ou simplesmente pensar de outra maneira que irá facilitar a resolução. Desculpe-me os fortes, eu sou fraco.  Há muita interação na turma e sei que cada um dali poderá contribuir para a formação profissional do outro. Hoje nós somos um céu sem estrela com apenas um rastro marrom de conhecimento, porque é muito pouco tempo para que surja a interação e intimidade (coisa essa que eu gosto de criar bem rápido, acho primordial em uma relação, talvez possa ser um defeito meu, olhando a olhos estranhos ou em culturas diferentes da minha).  Volto para casa com um ânimo fervoroso de estudar mais sobre o assunto e focar no inglês (pois vou fazer um exame de Cambridge em junho). Bethoven, meu golden retriever, já esta deitado ao meu lado com sua bolinha, procurando ver o que sempre escrevo e que tanto o incomoda. Talvez chova em Arrozal, as noites estão ficando mais negras, será que é assim que tudo acontece na zona rural? Devo estar virando um matuto mesmo, pois caseiro eu já sou. Good night, Buonanotte, Boa noite.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Carta de uma guerra.


Minha Sweetie,

Desculpe por ousar escrever sobre você, sobre nós. Cada vez que ouço sua voz novamente é como anjos soprando suas cornetas em meus ouvidos, fazendo-me relaxar com o efeito de uma antiga canção de ninar. Peço-lhe desculpas por ser mortal, homem, pecador e sem coração como em muitos momentos não entendi você. Quando você mais precisou de mim, eu virei, te olhei e desisti da guerra. Oh minha gueixa, tão frágil por fora, tornando-se um leão faminto em busca de comida e proteção para seus filhotes. Não nego que por momentos duvidei de todo o seu amor, de todas as suas cartas escritas por mãos tão macias que deveriam ter sido beijadas da ponta de suas unhas até o osso menor de sua palma. Não digo que duvidei por inteiro, apenas não tinha tido um excesso de atenção, carinho e entrega de outra pessoa tão grande em minha vida. Minha mãe se orgulharia de ter-te como nora, poderia até me bater se soubesse que eu te perdi. Se você for essa pessoa que é hoje por minha culpa, eu devo ser um monstro mais esdrúxulo e indigno de perdão dentre as pessoas ordinárias dessa Terra. Volte a ser como eras antes de mim. Brinque sem medo do que os outros irão dizer, demonstre seus sentimentos aos seus futuros e presentes pretendentes. O raro nas pessoas são isso, para que diabos ter medo de ser quem você és? Isso é uma máscara, um jogo, uma guerra de um coração partido. Léguas me distanciam de você, minha amada. Queria estar com você para enxugar suas lágrimas límpidas de nenhum pecado mortal. Volto a ser um poeta, não importando se é cantiga de mau dizer ou simplesmente de amigo. Prefiro que sejamos enquadrados dentro de novelas de cavalaria, onde o príncipe salva a princesa em seu cavalo branco e eles fogem rumo ao horizonte por do sol. Mentiras, farsas, irregularidades nos rodeiam, eu via tudo que há de bom em seu coração. Em minhas orações peço que Deus a proteja e sinto-me pequeno por não poder ser eu esse guerreiro ao seu lado para junto a Ele fazer seu glorioso papel. Espero que ao acordar, possa abrir seus olhos para um novo dia e imaginar que realmente é um novo dia, e não apenas mais um dia qualquer. Se hoje sou o que sou, você teve influencias indiretas nisso. Olho o verde, penso em seu ciúme e cuidado. Olho o céu e imagino a imensidão de grandiosidade que existe em seu coração. Olho a chuva e lembro quanto frágil tu és. Relembro e olho a lua e não penso mais em nada, apenas aprecio o momento de felicidade por lembrar-se da pessoa que mais me amou. Pensa em mim, pois em algum lugar do mundo eu estarei pensando em você.  Seu e para sempre seu, Arthur. Adeus.

“A gente briga, diz tanta coisa que não quer dizer. Fica pensando que não vai sofrer. Que não faz mal se tudo terminar. Um belo dia a gente entende que ficou sozinho. Tem a vontade de chorar baixinho. Tem um desejo triste de voltar. Você se lembra, foi isso mesmo que se deu comigo. Eu tive orgulho e tenho por castigo a vida inteira pra me arrepender. Se eu soubesse naquele dia, o que sei agora, eu não seria este ser que chora. Eu não teria perdido você.” (Castigo – Dolores Duran)

terça-feira, 1 de março de 2011

As Cariocas: Nazaré, a mulher “psicopata”.


Ser um psicopata é uma doença. Ser mulher é a mesma coisa que nascer com essa doença, mesmo que ela não se desenvolva totalmente no decorrer da vida. Você pode não perceber, mas elas já nascem mais instintivas, mais minuciosas (pois possui o branco do olho em maior quantidade que os homens) e com o espírito de auto-sobrevivência. Nazaré, loira, bonita e sensual, fogo entre as pernas, boca safada. Foi sempre muito atenta aos homens que escolheu, virgem já não era desde quando nasceu. No amor, ela era no estilo bem me quer e mau (foda-se) quem não quer. Não se prendia a regras, não gostava de relacionamentos sérios, não acreditava em fidelidade masculina. Homens são todos galinhas, não podem ver um buraco que já ficam doidos, ela dizia. Em um baile forrozeiro que costumava ir a seu bairro, conheceu Giuliano. Modelo, alto, carioca da gema, sabia como deixar uma mulher de quatro em apenas algumas horas de um jantar. Olhares sustentados, ela o caçara. Em menos de uma semana os dois tiverem alguns encontros, ora singelos como passear no parque ou comer uma pizza (esses ela detestava, achava muito retro e muito broxante), ora ardentes na cama de Nazaré. Certa noite, Giuliano estava tomando um banho, ela resolveu checar o celular de seu quase concubina. “- Oi gatinho! Seus beijos são mais doces que meu doce de pavê, seus olhos mais lindos que o ator da TV. Não chora, me liga, você tem meu amor. Bjokas da Cris pantera.” A vizinhança não sabia o que estava acontecendo, de tantos palavrões parecia mais um filme pornô ou um barraco de família, quebra-quebra que parecia os protestos no Egito. Giuliano recolheu suas coisas e voltou para sua quitinete em cima da pensão da dona Branca, a maior fofoqueira do bairro. Nazaré não sabia se chorava, ou se limpava a casa, se ligava para essa tão de Cris ou se ia à delegacia de mulheres e inventar alguma mentira para Giuliano ir preso. Olhando de fora, Giuliano tem culpa de alguma coisa? Nazaré está certa ou errada? Nunca Giuliano exigira alguma fidelidade ou algum laço de afeto mais forte para com Nazaré, para ele tudo estava bem no começo ainda. Muitos dizem que fidelidade é questão de caráter. Concordo, mas fidelidade em pegação ainda não existiu e nem sei se vai existir. Nazaré está arrasada, achando que foi traída, não compreendida, foi usada como um passatempo comestível de algumas horas. Ela descobre que o ama. Isso é amor, senhora? Ciúme, possessividade, perseguição? A partir daí ela ligou para o celular dele, não teve resposta. Ela foi à quitinete, ele não estava. Galinha, já está na gandaia, pau de toda obra. Nazaré esperou até o dia raiar em um meio fio da calçada suja até que aparece Giuliano vindo agarrado com uma biscate de saias curtas e batom vermelho.  A cena é realmente fácil de acreditar, era o óbvio. Nazaré queria acreditar que ele era o homem perfeito, o cara, o mundinho dela. Ele se aproximou, ela recuou. Disse-lhe que era uma prima distante que chegou a cidade. Tapa na cara. Todo o comportamento de uma mulher diante de uma situação demonstra quão duro é a realidade do entendimento do universo masculino. Ela jura que o que sentira por Giuliano era amor, paixão, loucura. Para ele, ela foi apenas mais uma de sua lista telefônica da parte N. Tolinha.