domingo, 6 de fevereiro de 2011

Canção Nova, etapa “rezar”.


Pego uma carona para Volta Redonda para chegar a tempo em casa. Angra dos Reis ás 07hs50min a.m, dia ensolarado e quente, Fiat Punto (que carrão!!!). Tirei minha vó da cama, gostei muito de te ver leãozinho. Deito na cama até perder a hora do almoço. Sou seqüestrado por Jenny Thuler, que saudade que eu estava de andar a toa e rir dos planos futuros. Comentamos como seria o nosso começo de semestre: pretendo fazer um curso de hotelaria na Microcamp, curso de italiano, tirar minha carteira de motorista e estudar para o vestibular que acontecerá no meio do ano. Tudo está me levando para o mesmo caminho de Liz. Quando ouvi o soar do “Buon pomeriggio” em meus tímpanos me apaixonei, quero aprender essa língua. Volta para casa, malas arrumadas, carro ligado. Eu nunca tive tanta experiência com Deus, como já havia citado antes. Quero me aproximar mais, ver coisas que meus olhos ordinários não conseguem enxergar, sentir coisas que apenas o coração pode traduzir e não a mente. Quando minha vó me falou desse encontro focado nas famílias que ocorreria na Canção Nova, não pude deixar escapar. Deus para mim foi um amigo distante, uma pessoa que você conversa, mas não sabe se está sendo escutado. Uma fé que eu tento entender nas pessoas, sociedades secretas contra o cristianismo. Eu vim poucas vezes a esse lugar, muita das vezes apenas por diversão. Não me envergonho, sou humano de mais para perceber isso naquele tempo. Nunca li a bíblia totalmente ou qualquer outro livro sagrado. Hoje estou aqui, deitado, preparando as coisas para o meu dia  de amanhã percorrendo cada espaço daquela chácara, comprando vários livros que contribuirão para a minha ignorância se desfalecer em certos assuntos, desaparecer por inteira, se for o caso e dar lugares a boas perguntas (o importante não é a resposta, e sim a pergunta bem feita) que iluminarão o meu ser por inteiro. Desejo ir embora com um sorriso de uma criança, mas com um coração de adulto. Amém.

“Can you meet me halfway?”
 


  

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Inside the boat, inside my memories.


Acabo de deixar o píer de Abraão, deixo todas as minhas lembranças lá. Quando você chega a uma ilha, você pensa que só terá insetos te picando, mato te pinicando, sol te torrando. Eu cheguei pensando que teria que me isolar ainda mais do mundo vindo para cá. Não é bem assim, você se perde do mundo, mas se acha dentro das águas azuis, dos peixes em seus pés, dos barcos a sua volta. Estou dento da “lancha da carreira” (não me pergunte por que esse nome se a empresa é Itaipu) passando pela enseada das estrelas e saco do céu, vento em meu rosto e ouvindo “closer to edge” (I’m not say, I’m sorry, one day will meet again). É engraçado como tudo aqui parece uma mistura de linguagens: franceses lendo seus livros chatos, alemães checando seus passaportes europeus, ingleses quase se desidratando. Imagino como será o meu desempenho em seus respectivos países, vou ficar tão perdido quanto? Com meu mapa na mão eu me acho, mas coisas simples fazem-me sair de órbita. Já posso ver o continente, Angra dos Reis. Hoje eu não queria embora, porém amanhã pego já uma carona para minha casa em Volta Redonda. Estou deixando para trás todos os dias que eu fui nadar na praia Preta, nas noites no píer tomando sorvete finlandês com as minhas irmãs e parentes, das corridas no final da tarde ouvindo uma música para relaxar e até as noites mal dormidas com ventilador. No café da manha me despedi da Letícia, uma atriz argentina que se hospedou em minha casa em uma das nossas quitinetes. Nesses dias conversamos sobre Buenos Aires (lógico, eu estive lá e ela mora lá), sobre a galeria Pacífico e seus cremes milagrosos, sobre futebol (realmente existe rivalidade entre os países, mas apenas entre os homens) e sobre como foi passar 16 dias nessa ilha sob olhar de uma argentina. Ela deixará saudade e seu amigo de quarto também, eles foram um dos argentinos mais educados que já conheci. Quero deixar tudo guardado em minhas memórias e recomendo a todos que precisem de um tempo apenas para você mesmo visitar a Ilha Grande. Tá, que aqui nem tudo é barato, mas quem já foi a Búzios sabe a diferença de preço. Cada praia que passei será única, cada lua cheia será lembrada (na cidade grande você não consegue enxergar tanta beleza). Ilha Grande, eu te amo! 



sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Último dia: Passeio de barco.


 Lagoa azul, Freguesia de Santana, Japariz. Talvez, hoje seja meu último dia aqui na Ilha Grande neste começo de ano. Todos os dias eu fui à praia, todos os dias foram os dias que eu pedi a Deus. Para quem não gostava de tanta praia... eu estou me sentindo como um nativo: sunga a maior parte do dia (o Tarzan, né). É engraçado que antes eu sempre queria ir embora rápido, não gostava do clima, não sabia o que fazer nessa ilha sozinho, eu descobri que não preciso de ninguém para satisfazer meu notório desejo de compainha. O pé de pato é o meu filho agora. A sensação de nadar por toda a praia Preta de ponta a ponta, apenas eu, todo dia ás 5 horas da tarde, é indescritível: era o momento que eu conversava comigo mesmo, era a minha meditação, só que além da mente vagar, exercitava o corpo. Á noite eu peguei toda a lua cheia, aquela sensação que dava vontade de fazer a mesma cena final de Querido John: levantar as mãos ao céu e sentir uma onda percorrer por todo o corpo e botar o polegar em tua direção e ver que a lua nunca será maior que o seu dedo. Lua de amores, a lua que eu te dei. Foi um bom momento para ficar com a família, apreciar pessoas bonitas (o que não falta é isso nessa Bali brasileira) e perceber que é um ótimo lugar para trazer uma pessoa especial e apreciar tudo que a natureza pode te proporcionar, pois isso é individual. O “mato” é igual quintal e bunda, cada um tem o seu e a sua. Hoje pegamos um passeio de barco. A lagoa super azul com seus peixes coloridos e fotos de baixo d’água.  A Freguesia com sua igrejinha e seus pequenos túmulos, ao redor, de pessoas muito antigas (como do ano de 1912, 1923) que já viveram lá e morreram por algum motivo (sempre me comove e me arrepia ver essas coisas). Japariz com sua água menos salgada, um píer e várias acrobacias de crianças (não resisti e também virei uma). Sabe aquela música: “hoje eu só quero que o dia termine bem” ? É isso que eu espero. Amanhã estarei na Vila Histórica novamente e terça na minha cidade. Hoje eu vi, sou um verdadeiro “Anthevasin” e que eu seja para sempre uma pessoa que vive entre as fronteiras, nunca em um só lugar. Aloha!     






quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

2º dia na Ilha Grande: Sol, praia e procissão.


Mãe: “ – Esse pé de limão e esse “chuverão”, salvam o verão!”

Pela manhã, ajudo meu padrasto a varrer o quintal. Parece um trabalho fácil, mas vai pegar uma vassoura e fazer o teste para você ver a "delícia" que é. Todo esse trabalho em baixo de um sol quente fez-me recordar de quando eu trabalhei aqui na Ilha Grande à dois anos atrás. Quis testar meus conhecimentos e habilidades de adolescente trabalhando como garçom. Eu tinha meia boca de inglês, não sabia como atender as pessoas (tive que deixar todo meu orgulho e usar de muita educação de berço para poder não dá na cara de algumas pessoas) e receber elogios e belas gorjetas. Retornei a praia Preta e ao poção. Fizemos churrasco (como bom gaucho, não resisto a isso). Decido nadar, minha mãe já soltou suas asneiras para cima de mim para eu conseguir um emprego. Nado, nado, nado. Corro, corro, corro. Eu não agüento mais tanta disciplina. Hoje é dia de São Sebastião. Aqui, na Ilha Grande, é sempre uma grande festa anual. Tivemos uma linda procissão. Minha tia Silvinha falou que tinha que fazer um pedido, o que eu iria pedir? Mande-me uma luz para trilhar meu futuro? Não tive muita escolha. Comemos um sorvete Finlandês – o chocolate branco com brownie é o melhor. Quando cheguei ao deck para tomar meu sorvete, tive meu presente: barcos, mar, lua cheia e a aquarela sombra deixada na superfície do mar pela mesma. Foi uma das melhores fotos que já tirei e um dos momentos raros que tive com a minha mãe em paz: conversamos sobre minha viagem, sobre a dieta do sangue (todos deviam saber sobre isso) e sobre os nossos próximos passeios aqui na ilha. Hoje não tive que fazer tanta coisa, mas foi como se eu morasse aqui e tivesse uma rotina de férias, essa é uma das particularidades daqui, ser uma ilha acolhedora. Vou deitar e terminar de ler meu livro depravado e super informativo: O doce veneno do escorpião, da Bruna Surfistinha ou Raquel.





quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Ilha Grande, a minha Bali.


As pessoas não agüentam mais me ver viajar, mas meu sonho é conseguir aquele passaporte diplomático e exercer minha futura profissão. Ao chegar de meu cruzeiro, já preparei minha próxima viagem: tenho que emagrecer mais e voltar a minha realidade – acreditem, é estranho quando você volta de uma pequena viagem a outros países, você não sabe o que fazer mais, eu tinha a minha rotina feita na Costa Fortuna. Minha prima de Espírito Santo estava em Volta Redonda a minha espera, fomos ao shopping e assistimos a um filme em 3D (adorei a nova sala 2 do cinema, totalmente reformada e os óculos não são de plástico vagabundo). Minha mãe me liga, hora de partir: Ilha Grande! Aqui vou eu. Arrumo minha mala ás pressas, volto a Vila Histórica para um passeio noturno com a minha irmã do coração, Karynn Kaiser. Conversamos ao luar sobre o que perdemos e o que deixamos de contar um para o outro, tudo isso com uma dose de tequila. Não ligava para hora, eu tinha que acordar ás 06h00min bem disposto para um trajeto de carro até Conceição de Jacareí. Pego uma lanchinha, chego cedo ao meu destino. Esta ilha sempre me encantou, não só por suas belezas naturais, mas por toda calma que ela transmite e que não é encontrada nos grandes centros urbanos. Eu já venho aqui a anos, não estava mais interessado em vir, outrora sei que essa minha nova jornada vai ajudar-me a mudar de opinião – assim espero e confio. Vou direto à Praia Preta, a praia mais perto de minha casa aqui no Abraão. Suas águas cristalinas fizeram-me comparar com as de Porto Belo (SC): não é a mesma coisa, Porto Belo não chega nem aos pés da Ilha Grande, é belo mas perde para a grandeza. Depois fomos todos ao Caxadaço (um poço de água doce onde possui um escorrega que as crianças adoram). Á tarde eu peguei meu pé de pato e fui nadar. Havia um cruzeiro da Costa aportado aqui, água quente e onda. Quando estou nadando é como se eu conversasse comigo mesmo: o que será de meu futuro? Se estou trilhando o melhor caminho? Haverá muitas tempestades a qual meu barco poderá suportar? Na ida foi tranqüilo, mas na volta, foi difícil. Era como se cada onda não quisesse minha presença ali, eu teria que vencê-la. Eu sou muito “mandão”, no mar eu perco esse meu poder – fico com raiva e alegria ao mesmo tempo por isso. Eu estava ali não sendo desejado, mas ao mesmo tempo um convidado a participar da melhor parte da tarde, a subida da maré. Cheguei ao final da praia aliviado e pensando se todos os meus dias serão assim: se meu corpo virasse sol, se minha mente viraria sol, e aqui, não chove e não choverá! Tenho mais 9 dias no paraíso, meu SPA natural, a minha Bali do Paraguai.          




terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Processo conclusivo: Cruzeiro – Argentina, Uruguai e Brasil.


Acabou-se o que era doce e que balançava. Eu não resisti a todo aquele mundo que esta experiência me trouxe, eu me atirei. Quando você tem pensamento positivo e ânimo desde o primeiro momento em alguma coisa, tudo isso dá certo. Quando eu entrei no navio eu disse: “- Este será o meu teenage dream. Que tudo que tenha que acontecer, aconteça!” Minha cabine, meus professores, pessoas desconhecidas. Eu não trocava a minha cama por nada a noite, meus professores eram cada pessoa com quem eu conversava ou com quem eu interagia e pessoas desconhecidas (o nome já diz tudo, eu não sei se as verei novamente ou se um dia eu cheguei a realmente ter uma conversa humana com elas – não estou sendo louco, mas são fatos que não condizem com a realidade, pelo menos com a minha). Eu me encontrei, achei o que iria ser quando crescer: quero ser mochileiro, turismólogo, garçom, professor de idiomas (um bico) e o mais importante, conhecer lugares e pessoas. Eu viajo desde os meus 5 anos de idade (no trajeto Volta Redonda X Angra dos Reis), como eu não pensei nisso antes? Medicina sempre foi o sonho de outros, não o meu – talvez no futuro até faça, mas de hobby. Não quero na beira da morte poder falar: “– Eu não fiz o que eu queria, eu deixei de viver.” Muitos têm medo da morte, eu tenho medo de não viver, de não saber viver, de perder o real sentido da vida de novo (se é que um dia achei). O Costa Fortuna mostrou-me que sei interagir com pessoas (no final, eu já estava quase um funcionário de lá), que o sonho de muitos, ás vezes é de poucos. Minha primeira experiência em terras estrangeiras, primeira vez que andei de metro, primeira vez que tive a minha liberdade.  Sei que posso estar sonhando, mas é o que eu quero hoje – o mundo. Eu encontrei pessoas que pertencem a livros: eu nunca mais vi aquele senhor que estava no deck 12 pela manhã (“- Meu Sócrates, obrigado por mostrar que a vida continua mesmo com a morte da pessoa que amamos, que devemos nos libertar de nós mesmo ás vezes, que você pode fazer o que quiser, desde que isso não roube a liberdade do outro. Eu sempre vou lembrar da sua festa de casamento.”), eu encontrei Juliana novamente (A minha Joy, conhecemos no spinner, conversamos, fizemos academia e depois um breu. Fui encontrá-la no último dia, eu saindo para o deck da psicina e ela na outra margem com o seu vestido preto e colar de pérolas, seu sorriso, conversamos, ela voltará para o Acre um dia. Nunca desejei  ter uma mulher como a desejei. Eu ainda lembro do seu sorriso e do seu amigo pirralho que se parece demais com um irmão de uma amiga, de uma maneira assustador. Eu vivi muito nos lugares ao qual visitei, eu comi coisas que não verei no Brasil, eu mergulhei em águas cristalinas de Santa Catarina, mas tudo isso com uma pessoa ao meu lado: meu pai. Tentei demonstrar que mudei, que não sou mais uma criança interesseira, eu sou seu filho. Nunca direi que é um caso perdido, mas há famílias piores. Queria poder guardar em uma caixa cada recordação, hoje eu vejo que todo adolescente deve ter um sonho e segui-lo em frente, porque é lá, que você descobrirá o que fazer quando voltar a sua vida normal. “Arrivederci”