Primeira vez que venho agradecer a audiência recebida pelo
meu blog. Sei que não é grandes coisas um obrigado de um desconhecido, mas
muito obrigado pela sua leitura diária. Visto isso, vou começar a escrever sobre a
vida de alguns amigos, pessoas que já me pertenceram por um mês ou por um dia
ou por uma noite, parentes. Creio que nem tudo que eu irei escrever pode condizer
com a realidade, não irei fazer uma biografia de cada um deles, mas um romance com
partes fatídicas. Qualquer semelhança não será ao acaso. Quero que as histórias
sejam regadas de humor, mistério, uma pitada de tesão e sexo, amizade e principalmente
amor. Nem todas as histórias terão um final feliz – afinal, na vida real nossos
dias para acabarem com chave de ouro depende de muito esforço pessoal e do
meio. “As Cariocas” foi uma minissérie da Rede Globo de Televisão donde eu
tirei minha inspiração. Há varias “cariocas” pelo mundo e já que vou fazer
algumas viagens, por que não escrever sobre elas? Cada mulher tem seu charme
exalante, perfume corporal e olhar avassalador – eles merecem respeito. Em
2011, vocês irão ler histórias de pessoas que talvez nunca vão ver na vida, mas
irão assimilar as personagens com alguma amiga, algum parente que você possui.
Não estou desistindo do meu foco (contar sobre minhas viagens e suas conseqüências),
“As Cariocas” será um trabalho paralelo, mas ao mesmo tempo perpendicular –
tudo tem um ponto de partida. Espero que os textos lhe apetitem a cada dia e
que cada mulher possa servir de exemplo de inúmeras brasileiras á margem da
sociedade e de nossa visão. A elas e a vocês, minha eterna gratidão. Arthur Kaiser.
"Então você escreve por reconhecimento interior e externo mundano, compartilhamento de informações seja por vontade, seja por carência. Escreve, pois precisa ter alguém nem que seja sua mãe para ler suas anedotas, escreve, pois é algo que você nunca sentiu prazer e excitação e agora, sem explicar o porquê sente-se completamente feliz, como se fosse o seu momento,escreve porque as palavras brotam de sua mente sem explicação."
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
EX, relação exacerbada repentina.
“Já tive mulheres, de todas as cores, de várias idades, de
muitos amores. Com algumas até certo tempo fiquei, com outras apenas, um pouco
me dei.”
Parece incrível, mas sempre que tento ficar em paz com as
minhas ex-namoradas aparece mais um caso de briga. Hoje eu vejo que as pessoas
não esquecem as coisas ruins, principalmente sobre sua personalidade. Você faz
um pedido pessoal e aquilo se torna o fim do mundo, mas quando você faz
programas de lazer que as agrada, elas tornam-se um anjinho do pau oco.
Mulheres: bicho egoísta e caçador inato. Eu levo em conta que quando você
namora alguém, você também tem que namorar a família da pessoa – pode
acreditar, isso dá certo (nada como um sorriso falso ou um elogio na hora certa
se a situação não for agradável). O trágico é que quando o relacionamento
termina, a família da pessoa tem que concordar com a pessoa e você sai como o
vilão da história. Relaxa, existem vários lobos maus por aí, você não é o
único. Alguém tem que ceder. Quem será o primeiro? O gesto de humildade parte
sempre do lado mais fraco ou da pessoa que está em débito ou que está
escondendo algo. Eu não gosto de ceder, mas também não espero que a pessoa
concorde com tudo que eu diga. Vejo que meu estilo de relacionamento não é o
único: quando começo a gostar de alguém e vejo que isso não vai dar certo, eu
pulo fora – para que gostar de alguém que não vale a pena? Será mesmo que os
menores frascos são os mais perigosos e os mais cheirosos? Eu não quero pagar
para ver. Passado é passado, ex é ex – sem mais. Não tem como você viver com
uma memória importuna, matutando na sua cabeça, que você precisa dar carinho,
atenção, presentes na hora certa. Mulheres deviam vir com manual, assim como as
televisões: tudo explicado, que botão se encaixa devidamente correto no buraco,
o que fazer e o que não fazer. Venho trabalhando para concertar essa falta de
sensibilidade em mim, quero que a palavra EX não seja sinônima de repugnância,
chatices ou desconforto e sim de amizade e compreensão. É difícil no começo: a
pessoa (ou você) quer distância e o silêncio; depois vem a fase de nostalgia (
“ – Você não era tão gentil comigo! A piranha novinha está mudando mesmo você,
pau mandado.”); e finalmente a fase que você pede conselhos sobre seus novos
relacionamentos (um barzinho e um litro de vodka combinam com esse ritual). “Cada
um tem a cruz que merece”, eu também diria que cada um tem a ex (ou o ex) que
merece. Você chegar a um grau de
maturidade com uma ex é uma trajetória longa e perigosa – e com muitas discussões
no caminho, mas depois que você à alcança você vê que a pessoa foi especial
para você naquele momento, ninguém usou ninguém ( os dois se usaram), o ciúme
foi uma espécie de proteção e demonstração pública e particular de afeto e que
ela continua sendo a mesma idiota quando se trata de amor.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Natal x Realização interior
“buddy call: -
Quando iremos nos ver de novo?
eu: - Eu ligar-te-ei.”
eu: - Eu ligar-te-ei.”
Ao mesmo tempo em que estou com as pernas moídas, estou
repleto de ânsia de felicidade. Quando cheguei para passar o natal com a minha
família em Volta Redonda, cheguei com verdadeira preocupação com o começo de
depressão e síndrome do pânico que minha avó estava começando a ter. Ela não dormia,
sentia-se triste, vontade de chorar repentinamente e perdeu a maneira de viver. Foi
até irônico: eu acabo de curar-me da minha e a doença a atinge. Mas como parte
dessa doença ataca o emocional da pessoa, foi apenas eu chegar para ela voltar
a ficar melhor. Começamos os preparativos, comidas e doces. Agora eu sinto que
posso retribuir toda a ajuda que meus avós depositaram em mim quando eu mais
precisei. Ser filho de uma mãe de 34 anos e um pai de 36 anos não é para
qualquer um, é uma realidade maquiavélica. Eu cresci sendo filho dos meus avós
e não sou tão mimado quanto dita a regra. Minha experiência em Angra serviu
para meu encontro marcado com Jesus novamente, hoje ele é meu psicólogo à
noite, antes de dormir. A véspera de natal passou regada a família de meu tio
que morava aqui em casa. Mas hoje, dia 25 de dezembro, foi mais divertido.
Todos estavam à mesa, com alguns novos integrantes, mas era como nos velhos
tempos. Meu pai teve que dá o showzinho particular e eu tive que sair. Botei um
tênis de caminhada, um short e sai. Eu estou bem mais moreno e bem mais magro,
o que as pessoas nada reparam né, adoro. Marco um encontro, tive que cair em
tentação e “tirar o atraso”. Tinha que testar se estava na ativa como eu era.
Não foi diferente, 2 horas de puro calor vespertino. Sempre me recordava da
pessoa que amo, pensava se estava usando a pessoa que estava em meus braços,
mas nada daquilo importava. Eu tinha que fazer tudo aquilo. Na volta a casa, eu
era uma criança de novo. Sentia que todo meu corpo pertencia a mim novamente,
eu continuava amando a mesma pessoa, eu tinha feito sexo com uma desconhecida
em pleno Natal e ainda teria uma noite família pela frente. Não quero ser nunca
desrespeitoso com o significado desta data, mas foi uma tarde romântica como eu
tinha antigamente. O Natal para mim foi luz e reencontro pessoal, foi atenção e
meditação, foi lembrar que o pai dos futuros pode rejubilar um coração de um
filho pródigo que tinha medo de ser quem era e aceitar sua missão. Feliz Natal
a todos!
domingo, 26 de dezembro de 2010
Melhor amiga. Melhores em tudo.
Antes, eu não acreditava que amizade poderia se renovar e
nem ser encontrada em condições mal vistas aos nossos olhos. Sempre tive
colegas, amigos eu contava no dedo. Minha confiança é gradual. Não acredito em
“amizade a primeira vista”, ao mesmo tempo que acredito no “- Meu santo bateu
com o dela (e)!” Desde pequeno eu fui conhecendo o valor da amizade. Não fui
poupado de traição, chacotas ou advertimentos. Aprendi como se conquista e estou
aprendendo como se perde um grande amigo. Amor e ódio caminham lado a lado, a
amizade encontra-se no acostamento. Ao mesmo tempo em que seu amigo pode te
ajudar ouvindo suas conversas, dando conselhos, fazendo coisas divertidas, ele
pode ser seu pior inimigo oculto. Afinal nós esperamos das pessoas aquilo que
iríamos fazer no lugar delas, não é mesmo? Eu tive uma grande amiga. É até
estranho dizer isso, porque não tem como falar de uma grande amizade usando um
passado triste e que já não existe mais. O amor de amizade eu considero muito
mais intenso do que uma paixão: Você tem vontade de estar com a pessoa não por
excitação (ou desejo), você apenas sente-se bem pelo simples fato de vocês se
completarem e terem bons momentos juntos. Se existe alma gêmea no quesito amor, existe estrala-guia no
quesito amizade. A única lembrança que falei para ela foi para não apagar as
coisas ruins (deixá-las como marca d’água) e passar um marca texto nas coisas
boas (para nunca serem esquecidas e para sempre lembradas). Após uma perda de
uma grande amizade, você rever seus conceitos, afinal você era, de uma maneira
ou de outra, extremamente dependente daquela pessoa em certos assuntos. É como
encontrar- se em uma canoa sem remo. Em alguns casos você tem que ir à guerra:
sua amiga torna-se seu inimigo com todos os seus segredos usados como artefatos
nucleares. Com o tempo você aprende a lidar com novas pessoas e aprende a
conviver com os defeitos que acabam virando o tempero especial delas. Eu achava
que não encontraria uma amizade verdadeira de novo, mas a encontrei. Uma pessoa
que passou por quase os mesmo problemas que eu, era rejeitada por muita gente,
zuada e ainda sim, estava com um sorriso no rosto. Ela simplesmente vivia a
vida dela sem que comentários desnecessários a abalasse. Isso me cativou, eu
queria ser como ela. Comecei a olhar aquela pessoa com outros olhos, escutar
com outros ouvidos. “Os que não valem nada se atraem”, foi o único ditado
citado por mim para explicar nossa conexão. Hoje ela é essencial na minha vida
como a minha outra amizade era. Nunca poderia escolher qual amizade é melhor ou
pior, quem me dá mais alegria ou quem me dá mais segurança. Eu apenas cativei
mais uma pessoa e isso foi recíproco. Ela não é mais uma pessoa qualquer, como
nós julgamos os desconhecidos, ela é a minha irmã. Vadia, Leila, Cachorra,
Piranha, e ainda sim eu a amo.
Processo conclusivo: Angra dos Reis.
Malas prontas. A vida volta ao normal amanhã: rotina, meus
avós e meus amigos, minha vida "volta redondense". Quando você passa um mês em um lugar, parece que você já faz
parte daquele local, tendo que ligar a tecla do desapego. Aqui, em Angra dos Reis,
não poderia ser diferente. Foi a terra onda passei minha infância e onde me
formei na rua e no mar. Essa terra estava com várias mágoas do passado,
verdadeiras coroas de areia de ressentimento e erosão de alguns sentimentos. Eu
detestava vir para cá: não tinha amigos, minha família (que reside aqui) não me
entendia, não tenho um bom relacionamento com o meu padrasto. Minha única
válvula de escape era o mar. Visto minha última visita a Angra, eu entrei em
depressão. Depressão não é algo que você escolhe, mas se você não for forte o
suficiente e tiver pessoas ao seu lado para te apoiar, ela torna-se um túnel sem saída. Além
de você perder todo o seu corpo (e engordar igual um porco ou, em certos casos,
emagrecer), ficar triste e deprimido a maior parte do tempo, não ter ânimo para
fazer nada, você acha que a sua vida vai acabar e que ninguém irá te salvar do
penhasco pulado. Eu fiquei assim. Tive que escutar: “- você deu uma engordada,
não deu?”; “- Nossa! Você está tão rebelde, até mudou o cabelo!”; “- Eu lavo
minhas mãos para você, faça o que quiseres.” Eu sempre me doei para as pessoas,
mas na hora que precisei de ajuda, eu pude contar no dedo quem me ajudou, até
sem saber. Acho que quando estamos felizes fazemos amigos, quando estamos
precisando de ajuda e temos esse auxilio, fazemos irmãos. As calças perdidas,
os tocos levados, o tapa na cara tomado, serviu apenas para eu juntar forças e
reformar meu próprio castelo. Não foi nem um pouco fácil, mas também não foi
impossível – não desejo esse terror a ninguém, mas nos dias de hoje, muita
gente já passou por isso. Quando cheguei nessa cidade, eu estava tentando
juntar meus cacos, hoje eu estou com a minha base formada. Foi árduo deixar
meus avós, mas era preciso – Hoje eu vejo o quanto eles precisam de mim, minha
avó está começando a ter a depressão “do ninho vazio”, ela precisa de mim.
Retorno a minha cidade com muito menos medo, recuperado da minha depressão,
esperançoso por saber que eu posso amar alguém de novo – mesmo esse alguém
estando longe de mim agora, perdoei todas as palavras ditas – mostrei que eu
posso ser uma pessoa melhor mostrando que mágoa e ressentimento são cargas
muito pesadas ao meu coração. Meu último sundown na Vila Histórica de Mambucaba
tinha uma cor e um formato diferente. Eu podia sentir o encontro dos anjos,
ouvir cada onda indo e voltando, peixes pulando e a única coisa que vinha em
minha mente era: Mais um degrau foi escalado, mais uma etapa concluída, um
ciclo se quebra, “Attraversiamo” para um novo futuro formado!
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Relógio. Água.
.Você já teve vontade de voltar no tempo para os momentos
bons e adiantar os momentos ruins?
.De poder ter de novo algo ou alguém?
.De
poder imaginar uma coisa para que a mesma se concretize no futuro exatamente
como você pensou?
Queria ter o simples poder de andar no tempo, mesmo que eu
tenha que me tornar invisível ou uma mera lembrança. Fico viajando nos filmes “Jumper”
e “Te amarei para sempre”. Sei que o tempo é relativo ao espaço que ele dura e
a intensidade com que acontece. Acabo de chegar do meu primeiro final de semana
sem ela. O mais engraçado é que nosso último encontro foi em uma ilha idêntica
como a ilha descrita por Liz Gilbert onda ela pode dizer sua palavra favorita:
“Attraversiamo”. Eu nem tinha me dado conta disso. Fui
ao Rio Water Planet. No começo veio meu pensamento de nerd: Com tanta gente
passando cede, com tantos países tendo que importar água, eu estou aqui em um
lugar que tem água para divertimento pessoal. Foi um bom tempo para uma
diversão com minhas irmãs, eu estava muito vidrado em conhecê-las (ou melhor
dizendo, reconhecê-las) melhor que acabei esquecendo da parte boa. Foi um
dos poucos momentos que tive para esquecer aquela pessoa, mas avaliando meu progresso
quanto isso, posso dizer que foi uma perda de tempo. A música “Halo - Beyonce”
sempre faz o relógio voltar ao momento que estávamos juntos. Na praia, foi a
primeira vez que fui sozinho, desde a última semana. Primeira vez que não
dizemos juntos que os vácuos de raios solares nas nuvens, formando verdadeiras
frestas no mar estavam maravilhosos. É fácil de entender, difícil de explicar.
Eu poderia arrumar outra pessoa apenas para diversão, sexo ou compainha, mas eu
a quero – mesmo sabendo que ela já voltou para a verdadeira mansão a qual
reside no Rio. Os olhares que eu atraio, o sorriso que conquisto, apenas
olhando para as pessoas, eu queria que fossem delas. No começo dessa jornada eu
decidi não me apaixonar por ninguém, mas começou de uma maneira sem controle e
sem nexo, mas mesmo assim, continua sendo uma paixão utópica. Hoje entendo os
poetas românticos que idealizavam sua amada, ou as cantigas protagonizadas por
uma mulher que espera seu amado voltar, no lugar onde eles se apaixonaram. O
mar estava “ressaqueiro”, a água estava escura e pude lembrar quando pegamos
ondas nesta mesma água - estava cheia de folhas, ficamos igual dois soldados
camuflados e rimos um do outro. É ridículo relembrar essas coisas, não irão
voltar. Eu tenho apenas mais dois dias aqui em Angra. Os sinos de Natal já
estão começando a tocar. Imagino uma mesa, velas, chuva, vermelho, luzes, eu,
ela e um relógio na parede. Estamos ansiosos para celebrar a ceia com a nossa
família. Mandam nos chamar, são meia noite em ponto, pego em seu braço e rimos,
estamos atrasados. Eu a pego me olhando de rabo de olho na mesa e sorrio para
ela, brindamos com água (não água do mar como foi a primeira vez que nos
encontramos), mas a mesma água que os poetas brindaram a verdadeira alegria de
viver ao lado de uma pessoa em um dado momento da historia.
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